REUTERS/Tony Gentile
REUTERS/Tony Gentile

Análise: Existe um grande passivo histórico a ser superado na Igreja

À medida que se intensifica o combate a abusos, mais se percebe o tamanho do problema e a necessidade de medidas mais rigorosas

Francisco Borba Ribeiro Neto, PUC-SP

18 de dezembro de 2019 | 05h00

Todos os Estados e governos têm informações sigilosas. Na Igreja Católica, são denominadas “segredos papais”. Contudo, o segredo pontifício corria o risco de se tornar uma causa possível de impunidade, dificultando a troca de informações entre a autoridade civil e a eclesiástica. Um sacerdote acusado de abuso terá agora de enfrentar dois processos, perante a Justiça do país onde ocorreu o delito e perante a Igreja. No encontro internacional de fevereiro, ficou evidente que essa obrigação não seria totalmente efetiva enquanto os processos fossem conduzidos em sigilo no âmbito religioso.

O grande problema que a Igreja tem enfrentado é a dificuldade de combater de forma transparente esses crimes, até porque existe um grande passivo histórico a ser superado, em termos de casos não divulgados, normas canônicas pouco eficazes, seleção e formação inadequada de sacerdotes. Assim, à medida que se intensifica o combate, mais se percebe o tamanho do problema e a necessidade de medidas mais rigorosas.

*FRANCISCO BORBA RIBEIRO NETO COORDENA O NÚCLEO FÉ E CULTURA DA PUC-SP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.