Existem pelo menos 80 áreas de despejo clandestino

Enquanto o governo paulista comemora a diminuição dos aterros considerados inadequados, proliferam por outro lado os espaços clandestinos que recebem lixo e entulho. Segundo levantamento da Companhia Estadual de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) sobre áreas contaminadas do Estado, existem 80 aterros de resíduos domésticos e de material sólido industrial que poluem o solo - os números são de novembro de 2008. Dessas áreas "piratas", 21 ficam na capital, 14 na Região Metropolitana, 28 no interior e 17 no litoral.Um exemplo de aterro clandestino foi detectado e interditado pela prefeitura de Cotia (região metropolitana) numa área nobre da Granja Viana. Para despejar pagavam-se R$ 70 por caminhão, segundo denúncias dos moradores, e até lixo de centros médicos era descartado. "Fizemos uma vistoria e não encontramos material hospitalar. Mas paralisamos as atividades porque não havia autorização da Cetesb", diz o secretário de Habitação e Urbanismo, José Lopes Filho. O proprietário cobriu parte da área com terra após as denúncias. Sérgio Barquet reconhece que foram encontradas seringas no local, mas alega que teriam sido jogadas por um vizinho. Ele nega que o local tenha recebido lixo. "Esse terreno está na minha família há cem anos. Eu não seria louco de contaminar a área que será dos meus filhos."Desde janeiro, na cidade de Ribeirão Pires, funciona um terreno de descarte de forma irregular e sem licença de operação. O local recebe caminhões cheios de lixo e entulho. O aterro está instalado em área de mais de 20 hectares na Vila Gomes, uma área de proteção permanente (APP), vizinha à Represa Billings. A prefeitura assume que a licença venceu no início do ano. "A Cetesb apresentou um relatório com as exigências técnicas para a renovação e temos 30 dias para cumpri-las", afirma em nota oficial. Os lixões clandestinos, explica Aruntho Savastano Neto, gerente do projeto Lixo Mínimo da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, são investigados na rotina diária de atividades das equipes da Cetesb - ou quando são recebidas denúncias sobre esses locais.

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