Exonerada ainda usa estrutura da Prefeitura

Nutricionista vai de carro oficial a entrevista e diz sofrer ''abuso''

Eduardo Reina, O Estadao de S.Paulo

12 Fevereiro 2009 | 00h00

A nutricionista Beatriz Aparecida Edmea Tenuta, exonerada da Coordenação de Merenda Escolar da Secretaria de Educação na segunda-feira, ainda continua sendo consultada pelos técnicos da administração e utiliza a estrutura da Prefeitura. Ontem, em entrevista ao Estado, Beatriz foi conduzida ao local por um carro da Secretaria de Educação, que a esperou até o fim da conversa. Mesmo assim, disse estar "sofrendo um abuso" com seu nome envolvido nas supostas irregularidades no fornecimento de merenda para a rede municipal.Ela disse que foi nomeada para trabalhar na Prefeitura na gestão de Marta Suplicy (2000-2004), sob indicação de Célia Falótico, atual secretária-adjunta de Educação. Beatriz e Célia trabalharam de 1997 a 2000 na Coordenadoria de Merenda Escolar do governo estadual. Afirmou ainda que em 2007, período da realização dos contratos entre a administração municipal e as empresas Nutriplus, J. Coan, SP Alimentação, Sistal, Terra Azul e Convida, estava trabalhando numa pequena empresa fornecedora de merenda no interior do Estado."Estou me sentido injustiçada. Meu nome é referência na área de nutrição, onde trabalho há 30 anos. Saí da Prefeitura no fim da gestão Marta, na mudança de governo. Era cargo de confiança. Voltei agora porque a secretária-adjunta, com quem trabalhei no governo Mário Covas, me convidou", explicou. Para a nutricionista, ser contratada por empresas do setor e voltar ao governo é normal.Temendo prejuízo moral e financeiro com o envolvimento de seu nome nas supostas irregularidades, Beatriz disse que estuda acionar a Justiça para pedir uma reparação. "Avalio acionar a Prefeitura judicialmente, vou consultar um advogado. Não tenho de provar que não estou envolvida, sempre trabalhei na parte técnica e não tenho ligação e ingerência nas licitações. E, quando esse contrato sob suspeita foi feito, eu estava trabalhando no interior, nem nas empresas contratadas estava", reclamou.Ao sair da Prefeitura, na gestão Marta, em 2004, foi trabalhar na SP Alimentação, uma das empresas envolvidas no suposto esquema irregular, segundo denúncia do Ministério Público Estadual (MPE). "Pedi demissão no fim de 2006 e fui para o interior, de onde saí em janeiro de 2007. Fui demitida em dezembro do ano passado e depois recebi o convite para voltar à Prefeitura de São Paulo. Fui nomeada no dia 13 de janeiro."

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