Experiente, discreto, equilibrado

Quatro anos depois de perder a disputa pela presidência da Câmara, o deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) ressurgiu no cenário político nacional como relator do polêmico Código Florestal. Uma emenda ao seu relatório conseguiu explicitar, nestes cinco meses de governo Dilma Rousseff, as disputas camufladas entre o PMDB e o PT, aliados na eleição mas em disputa oculta na tarefa de governar. Os dois partidos ficaram em lado opostos, criando fissuras na base aliada.

, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2011 | 00h00

Apontados como o "patinho feio" da eterna aliança PT-PC do B, os comunistas desta vez também se rebelaram e ficaram contra os petistas. A bancada de 15 deputados foi praticamente unânime ao acompanhar o relatório de Aldo e a emenda do PMDB que dá anistia aos desmatadores, contrariando orientação do governo. Sem conseguir se encontrar pessoalmente com a presidente Dilma Rousseff durante a longa negociação, Aldo chegou a divulgar uma carta aberta à presidente contestando as críticas de seus ministros.

Aldo se irritou com o Planalto ao ouvir o líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), dizer que Dilma considerava "uma vergonha" a emenda com a anistia. Aos berros, microfone em punho, ele pediu ao presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), que interpelasse Vaccarezza.

"Interpele o líder do governo para que confirme ou não se a presidente falou que o que esta Casa está votando é uma vergonha. Tenho o direito de saber isso", gritou. Nas negociações pelo Código, o interlocutor de Aldo foi o ministro Antonio Palocci, que submergiu depois do escândalo sobre seu patrimônio.

Escolhido para relatar o Código Florestal por seu tom conciliador e discreto, Aldo foi o responsável, também, por outro projeto polêmico: o da biossegurança, que dividiu ruralistas, ambientalistas e cientistas. Em seu sexto mandato, Aldo - acusado por alguns de seus companheiros de xenófobo - gosta de se definir como patriota. Com o relatório que fez para o Código, ele conquistou um espaço que o cacifou para eventual candidatura à presidência da Câmara.

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