Explicação para queda do voo 447 deve demorar 1 ano e meio

Órgão de investigação diz que precisa de mais tempo e dinheiro e quer seguir busca da caixa-preta

AFP, AP e Efe, PARIS, O Estadao de S.Paulo

01 de setembro de 2009 | 00h00

Especialistas que investigam o acidente com o voo 447 da Air France, que desapareceu há três meses no Oceano Atlântico, ainda não conseguem definir o que causou a tragédia. "No momento, nós não podemos explicar o acidente", reconheceu o chefe do Escritório de Investigação e Análises da França (BEA, na sigla em francês), Paul-Louis Arslanian. "Espero que possamos dar essas explicações em um ano e meio", ressaltou o líder da investigação. Ele destacou que ainda serão necessários mais recursos para buscar as caixas-pretas do avião. O A330 Rio-Paris caiu com 228 pessoas - apenas 50 corpos foram resgatados e identificados.Arslanian afirmou que é necessária uma terceira fase de buscas, mais meticulosa, pelos destroços e registros do avião antes do fim do ano - a primeira procura foi encerrada um mês após a queda e a segunda, no dia 20. De acordo com ele, o custo dessa operação seria de "mais de 10 milhões" inicialmente, mas poderia chegar a "várias dezenas de milhões de euros". "Outros países devem participar, para obtermos o máximo de visão internacional. Vamos atuar também no solo, com outros países, além de Brasil, Estados Unidos e Alemanha, que já colaboram na investigação."O responsável pelo BEA ressaltou que essa quantia poderia ser, em parte, oferecida pela Airbus, fabricante do avião acidentado, mas seria preciso ainda ampliar os esforços. "Temos de mobilizar recursos. Não é apenas ter promessas de dinheiro, precisamos saber quem contribuirá e como." Arslanian disse que até o momento foram recolhidas aproximadamente mil partes do avião no Atlântico, incluindo a cauda, quase intacta, uma cobertura do motor, coletes salva-vidas não inflados e cadeiras. No entanto, dois pontos essenciais para a solução do caso seguem desconhecidos: o ponto exato em que caiu o Airbus e a localização das caixas-pretas.O BEA, juntamente com uma equipe internacional de especialistas, estuda os dados recolhidos para decidir exatamente quanto custaria uma nova etapa e o que seria necessário para iniciá-la. "A busca deverá ser retomada no outono (primavera no Brasil). Quando, exatamente... Ainda não sei", disse o responsável pela investigação do AF 447.Um relatório preliminar indicou que o avião atingiu as águas intacto e em alta velocidade. Os investigadores não encontraram indícios de explosão ou ataque terrorista. As autoridades brasileiras precisam ainda enviar informações detalhadas sobre as autópsias dos corpos recolhidos, "ainda que o BEA trabalhe com dados gerais obtidos por autoridades francesas", disse Arslanian.Desde o acidente, os reguladores da segurança aérea na Europa recomendaram às companhias a troca de centenas de sensores de velocidade de modelos semelhantes aos do voo 447. Uma série de mensagens automáticas enviadas pelo avião aponta para falha no funcionamento dos sensores de velocidade externa, conhecidos como pitots. Alguns especialistas sugerem que essas peças podem ter enganado os computadores do avião, em meio a uma forte turbulência. "Os problemas com os pitots não são incomuns, mas normalmente duram apenas alguns segundos", ressaltou ontem Arslanian.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.