Explodem investigações no MPF

Cresceu 318% o número de denúncias na internet

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

11 Fevereiro 2009 | 00h00

O número de procedimentos abertos pelo Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo para investigar crimes pela internet explodiu 318% entre 2007 e 2008, revelou ontem o Grupo de Combate aos Crimes Cibernéticos - braço do MPF que rastreia denúncias sobre pedofilia, intolerância racial, pornografia infantil, xenofobia e crimes de ódio. Foram instauradas 620 investigações em 2007 e 1.975 no ano passado. O aumento de casos levados ao MPF se deve a dois fatores, segundo os procuradores da República. Primeiramente, destaca-se o acordo de cooperação firmado com o Google, maior site de buscas, que passou a tirar do ar páginas suspeitas, preservando e encaminhando ao MPF provas de conteúdos ilegais postados no Orkut. O segundo fator foi a mudança no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que passou a tornar crime condutas antes não penalizadas, como a posse de material de pornografia infantil. Os dados foram divulgados durante encontro do MPF e a ONG SaferNet, na celebração do Dia Mundial da Internet Segura no Brasil. Foi assinado protocolo de cooperação entre a Procuradoria, a Fundação Padre Anchieta (TV Cultura) e o Comitê Gestor de Internet. "As três instituições se comprometem a agir em parceria para desenvolvimento de ações de educação e informação dirigidas ao uso ético, seguro e responsável da internet", assinalaram os procuradores Sérgio Suiama e Priscila Schreiner. O MPF está convencido de que sem a conscientização de pais e filhos sobre os perigos na rede as agressões tendem a crescer. "É preciso valorizar a prevenção", afirmou a procuradora Adriana Scordamaglia. "Os professores, sobretudo, devem manter diálogo permanente com seus alunos, inserir jogos didáticos em aula para que as crianças e os adolescentes percebam que a internet não é um ambiente seguro e adotem cuidados." Segundo o psicólogo Rodrigo Nejm, diretor de Prevenção e Atendimento da SaferNet, 37% dos adolescentes nunca ouviram falar de programas de prevenção e dos 49% que conhecem algum o consideram ineficiente. A maioria dos pais (64%), de acordo com pesquisa nacional da ONG, declararam que reportagens são a melhor forma de prevenção. Das 91.038 denúncias de 2008, 63,2% são relativas à pornografia infantil. "A prevenção reduzirá os crimes pela internet", afirmou o procurador Suiama. "Os usuários devem se manter em processo permanente de vigilância, cercando-se de cautelas especiais e evitando a propagação de seus dados pessoais e fotos. Um ambiente em que se comunicam 30 milhões de brasileiros tem crime."

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