EPTC/Divulgação
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'Explosão atmosférica' com poder de tornado varreu Porto Alegre

Para especialista, rajadas de vento chegaram a 150 km/h durante tempestade da última sexta-feira

Lucas Azevedo, Especial para O Estado

01 de fevereiro de 2016 | 19h44

PORTO ALEGRE - Com base em imagens de satélite e no tipo de destruição registrada em Porto Alegre após a tempestade da última sexta-feira, 29, especialistas acreditam que o que varreu a cidade foi um fenômeno conhecido como "downburst", ou, na literatura técnica nacional, "explosão atmosférica". Apesar de as estações meteorológicas terem registrado ventos de 120 km/h, os estudiosos acreditam que rajadas de 150 km/h atingiram a capital, especialmente no parque Marinha do Brasil, às margens do Guaíba, onde centenas de árvores foram arrancadas.

"Trata-se de uma corrente de vento descendente violenta que, ao alcançar a superfície, se expande de forma radial com vento destrutivo e com força até de tornado", explica o meteorologista Luiz Fernando Nachtigall. Até o início da noite desta segunda-feira, 1º, 13.450 pontos ainda estavam sem luz na capital. Um levantamento preliminar dá conta que cerca de 3 mil árvores caíram ou sofreram danos, resultando no bloqueio de ruas e avenidas. Até agora, 1,2 mil tonelada de entulho já foram recolhidas das vias.

Segundo ele, Porto Alegre foi atingida entre 22h e 22h45 da última sexta-feira por uma tempestade severa. O temporal encontrou uma superfície muito abafada - a temperatura máxima daquele dia foi 39,3ºC - , o que tornou o ambiente propício à forte tormenta.

Embora seu poder destrutivo possa ser comparado ao de um tornado, o "downburst" dura mais e atinge uma área muito maior. "Os danos alcançaram o centro da cidade, e as zonas leste, sul e norte com quedas de árvores em dezenas de bairros", disse Nachtigall.

"Os piores danos se concentraram em uma área ampla dos bairros Praia de Belas e Menino Deus. O fato de ter havido estragos difusos por quase toda a cidade e a duração do vento intenso afasta a possibilidade de que um tornado tenha varrido Porto Alegre, uma vez que este tipo de fenômeno determina vento extremo de curta duração e em uma área muito delimitada", avalia o meteorologista.  

Após toda destruição, os moradores da cidade têm questionado as autoridades sobre uma possível falha no alerta preventivo. Entretanto, o meteorologista explica que fenômenos severos como o que afetou Porto Alegre só são alertados de 15 a 60 minutos antes, em todo o mundo. "Este tipo de fenômeno é considerado por técnicos nos Estados Unidos como de previsão mais difícil que um tornado", salienta.

Balanço. Na noite desta segunda-feira, o abastecimento de água já havia sido restabelecido em 80% das residências. De acordo com a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), até as 19h, 33 semáforos permaneciam fora de operação por causa da falta de energia, e havia 32 pontos de bloqueios totais ou parciais de vias. A expectativa do diretor-presidente da empresa, Vanderlei Cappellari, é que até as 20h desta terça-feira o trânsito seja totalmente normalizado.

Já as emergências do Hospital de Clínicas, do Instituto de Cardiologia e do Hospital Mãe de Deus permanecem fechadas por causa de estragos provocados pelo temporal. A energia e o abastecimento de água, porém, foram restabelecidos em todos os hospitais. Alguns ainda enfrentam dificuldades porque a água chega com pouca pressão. Esses casos continuam sendo atendidos por 15 caminhões-pipa.

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