Explosão destrói fábrica de pólvora da Imbel

Uma pessoa morreu e duas ficaram feridas numa explosão ocorrida na Indústria de Material Bélico do Brasil (Imbel), empresa da qual o Exército é acionista, em Raiz da Serra, distrito de Magé, no Grande Rio.O acidente aconteceu nesta segunda-feira à tarde, mas os bombeiros não foram chamados. A própria brigada de incêndio da Imbel atuou para apagar as chamas. Soldados do Exército foram deslocados para a área.O morto foi identificado como Nelson Heleno Barbosa, o Sorriso, funcionário do setor de pólvora. A explosão ocorreu às 15 horas. O soldado da Polícia Militar Leopoldo Filgueiras, que estava num posto a 600 metros da fábrica, ouviu o estouro e assustou-se. ?Foi uma explosão média. Se eles tivessem nos avisado, como costumam fazer em caso de testes, teria sido uma explosão normal. Como não fomos avisados, ficamos alarmados e fomos ao local?, contou o soldado.Granulado explosivoNo entanto, ele foi inicialmente impedido por militares de entrar na Vila Militar de Inhomirim, onde fica localizada a Imbel. Somente com a chegada do delegado da 66ª Delegacia de Polícia (Piabetá), o acesso dos policiais militares foi franqueado. ?Ficou tudo destruído. Era uma casa velha, construção de 1857. Acabou tudo?, disse o soldado.Segundo informações que o soldado obteve no local, ali era fábricado uma espécie de granulado explosivo.A Imbel é dividida em 20 setores, e foi no de fabricação de pólvora que houve a explosão. O Comando Militar do Leste não divulgou a causa do acidente. Ao deixar a fábrica, onde esteve à noite, o comandante do Corpo de Bombeiros de Magé, major Edson Gomes, afirmou que a maioria desses casos acontece por falha humana.InquéritoEle ressaltou, porém, que ainda é cedo para chegar a conclusões e que a causa do acidente será objeto de inquérito. A declaração do major revoltou Maria Auxiliadora Rodrigues Lopes, de 38 anos, há 14 funcionária da Imbel. ?A gente trabalha sem condições de segurança e quando acontece alguma coisa é falha humana. Agora ele está morto e não tem como se defender?, declarou. De acordo com Gomes, a Imbel respeita as normas de segurança.Maria Auxiliadora disse ainda que, antes da explosão, alguns funcionários foram orientados a parar de trabalhar. ?Algum problema tinha?, disse. ?Às vezes, a gente reclama e ninguém dá ouvidos?.Ela afirmou que faltam equipamentos de segurança, como o aparelho que mede a umidade relativa do ar, e que os funcionários são obrigados a trabalhar mesmo em condições ambientais inadequadas, como baixa umidade e calor, que tornam a fábrica mais suscetível a explosões. ?A gente é obrigada a fazer as coisas?, disse.CUT vai investigarA CUT-RJ iniciará nesta terça-feira uma investigação paralela. O operador de produção Carlos José da Cunha, de 43 anos, deixava o trabalho quando ocorreu a explosão. Ele estava no banheiro, arrumando-se para sair, ouviu o estrondo e voltou para socorrer os companheiros.Cunha contou que encontrou Gilmar, um dos feridos. ?Ajuda o Sorriso?, teria dito Gilmar a Cunha. ?Ele ainda ouviu o último suspiro do Sorriso, mas não tinha mais o que fazer?, contou a mulher do operador Cunha, Miriam Aguiar da Cunha, de 33 anos.Estrondo e fumaçaMiriam mora na vila de funcionários ao lado da fábrica e ouviu o estrondo. Ela abriu a porta, atravessou a rua e viu a fumaça. ?Sempre tem estouro, mas a fumaça é sinal de problema?, contou.Além de Gilmar, outra pessoa ficou ferida, segundo a PM. Eles teriam sido levados para Petrópolis. Os dois hospitais da cidade ? Pronto Socorro de Petrópolis e Hospital Santa Teresa ? negam ter recebido os pacientes.

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