Explosão mata três presos em túnel escavado no Carandiru

Trio tentava fuga de hospital; gases de esgoto teriam causado acidente

Camilla Haddad, O Estadao de S.Paulo

07 Agosto 2029 | 00h00

Três presos morreram queimados na madrugada de ontem ao tentar fugir por um túnel no Centro Hospitalar do Sistema Penitenciário do Carandiru, na zona norte de São Paulo. Para a Polícia Militar, a morte dos presos pode ter sido causada por gases exalados do esgoto. A principal suspeita é que um deles tenha usado um isqueiro para acender um cigarro ou uma lâmpada durante a escavação, o que teria provocado a explosão. Segundo a Comgás, o hospital não é abastecido pela companhia, o que descarta a hipótese de um cano de gás encanado ter sido perfurado na escavação.Marcos Roberto Borges, de 34 anos, e Reginaldo Correia de Carvalho, de 28, morreram na hora. Já Edson Carlos da Silva, de 31, foi levado para o Hospital Estadual do Mandaqui, também na zona norte, onde morreu por volta do meio-dia. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, Silva teve 95% do corpo queimado.O túnel estava em estágio inicial e tinha 4 metros de comprimento e 40 centímetros de diâmetro. Ele foi escavado na ala B do hospital, que tem saída para o Parque da Juventude. A Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) não divulgou a pena que era cumprida pelos criminosos. A secretaria apenas informou, por meio de nota, que Reginaldo Correia e Edson Carlos estavam internados por serem portadores de HIV. Marcos Roberto tinha tuberculose. Os três ocupavam a mesma cela. A SAP acionou a Corregedoria Administrativa do Sistema Penitenciário e instaurou procedimento para apurar como os presos conseguiram fazer a escavação e em que circunstâncias eles morreram. A direção da unidade comunicou as mortes ao 9º Distrito Policial (Carandiru), onde a ocorrência foi registrada como tentativa de fuga e morte suspeita. Não foi informado o local de sepultamento dos corpos.FUGA EM MASSAEm dezembro de 2003, 87 presos escaparam da Penitenciária do Estado, na zona norte da capital. Durante a fuga, o túnel usado pelos detentos desmoronou e pelo menos quatro deles morreram soterrados. Outros 39 presos conseguiram fugir. Os demais foram recapturados. Com eles, foram encontrados nove celulares e um revólver. Os presos dos Pavilhões 1, 2 e 3 saíram por um buraco aberto em uma oficina desativada na penitenciária. O túnel, de cerca de 130 metros de comprimento e 50 centímetros de diâmetro, terminava em uma galeria de esgoto do outro lado da Avenida Ataliba Leonel.

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