Exposição sobre Vaticano vira ponto de peregrinação no Rio

Fiéis se emocionam com relíquias expostas e até param para rezar diante das obras

Clarice Cudischevitch,

21 Julho 2013 | 23h23

Fiéis que passam mal de emoção, peregrinos cantando músicas sacras e pessoas que se dizem revoltadas com o catolicismo são algumas das situações adversas com as quais vigilantes e monitores têm de lidar na exposição A herança do sagrado: obras-primas do Vaticano e museus italianos. Por ser religiosa, a mostra, que até outubro exibe 105 peças no Museu Nacional de Belas Artes do Rio e faz parte da programação da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), requer procedimentos específicos de segurança para casos inusitados.

Segundo o coordenador educativo da mostra, Jefferson Nepomuceno, os monitores já tiveram até de interromper um grupo que cantava em pleno museu. "Explicamos que o culto deveria ser em silêncio, por se tratar de ambiente laico, mas eles reclamaram, alegando que a exposição era religiosa." Outro caso foi o de uma mulher que desmaiou de emoção logo na primeira parte da exibição, ao observar o Relicário da Santa Cruz, de Bernini. O objeto contém um fragmento da cruz em que Cristo teria sido crucificado. "Essa é uma mostra diferente de outras porque mexe com a fé. Para os católicos, esse não é um espaço de exposição, mas de culto", disse Nepomuceno.

Quem acaba dando mais trabalho para os vigilantes não são crianças e adolescentes, mas mulheres que querem tocar nas relíquias, restos mortais de santos e obras de arte.

 

Demora

O fato de muitos visitantes cultuarem os objetos expostos e pararem para rezar faz com que o fluxo seja bastante lento. O tempo de espera para entrar no museu é de 1h30 a 2h.

Apesar da maioria católica, pessoas de todos os credos frequentam a exposição, entre eles, evangélicos. A estudante Luana da Cunha, de 19 anos, é um exemplo. "Vim porque me interesso pela parte histórica, mas não senti nenhuma emoção, pois não creio em nada disso. Passei direto pela parte das cruzes, porque me senti mal."

Roberta Carneiro, de 22 anos, é batista e estuda arquitetura. "Gostei mesmo foi do prédio que abriga o museu." Michael e Ieda Jrunbaum são agnósticos, mas disseram estar impressionados com a riqueza do acervo. "Os detalhes das obras de arte são tocantes", comentou ele.

 

Serviço: Museu Nacional de Belas Artes: Av. Rio Branco, 199. De terça a domingo, das 9 às 21 horas. Até 13 de outubro. Grátis

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