Extradição de Beira-Mar não foi discutida, diz porta-voz americano

O governo dos Estados Unidos negou nesta quinta-feira que o cônsul-geral no Rio de Janeiro, Mark Bower, tenha discutido a possível extradição do traficante Luiz Fernando da Costa, Fernandinho Beira-Mar, com o secretário de Segurança do RJ, Roberto Aguiar. "Como no Brasil existe um impedimento constitucional à extradição, não tocamos no assunto", disse à reportagem o porta-voz da embaixada americana em Brasília, Wes Carrington.O cuidado do governo americano em evitar, especialmente nessa área, iniciativas fadadas ao fracasso não significa que Washington esteja desatenta em relação a Beira-Mar.O traficante, que foi preso na Colômbia e entregue às autoridades brasileiras no ano passado, foi formalmente acusado pelo governo dos Estados Unidos, em 18 de março, de conspirar para exportar cocaína para os EUA.Embora esteja preso no Brasil, Beira-Mar é considerado um fugitivo da Justiça americana. Ele foi indiciado com outras seis pessoas, três das quais identificadas pela administração George W. Bush, como integrantes da Décima-Sexta Frente das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as Farc.As ligações do traficante brasileiro com as Farc o colocam numa categoria especial de inimigos dos EUA no pós-11 de setembro. "O indiciamento marca a convergência de duas das maiores prioridades do departamento de Justiça norte-americano, a prevenção ao terrorismo e a redução do uso ilegal de drogas", afirmou o secretário da Justiça, John Ashcroft, que anunciou pessoalmente a decisão, acompanhado do administrador da polícia federal antidrogas dos EUA, Asa Hutchinson.A conexão entre o terrorismo e o narcotráfico mencionada por Ashcroft significa que Beira-Mar e os outros seis acusados são vistos por Washington como ameaças à segurança nacional dos EUA. Há duas semanas, o governo americano indiciou os líderes da Forças Unidas Colombianas de Autodefesa, de extrema-ireita, que disputa com as Farc o controle de uma parte do narcotráfico.Em dois depoimentos que Hutchinson deu ao Senado e à Câmara de Representantes dos EUA, nos dias 17 e 19 do mês passado, ele chamou atenção para a ampliação dos efeitos do tráfico não apenas de cocaína para os países vizinhos da Colômbia. Disse que o tráfico de heroína, a partir das nações andinas, também já penetrou no Brasil e no Suriname.Hutchinson informou também que a segunda fase do Plano Colômbia, que têm objetivos estratégicos semelhantes aos do plano original, envolve a contenção do tráfico no Brasil, na Bolívia, no Equador, Peru e Venezuela.

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