Exumado corpo de técnico que morreu após ter ingerido Celobar

A polícia exumou hoje o corpo do técnico em equipamentos odontológicos Ricardo Diomedes, de 57 anos, morto no dia 22, após ter ingerido o medicamento Celobar, contraste usado em exames de raio-x. Peritos do Instituto Médico Legal vão examinar as vísceras de Diomedes para comprovar a causa da morte. Para o delegado Renato Nunes, da Delegacia de Crimes Contra a Saúde Pública, tudo leva a crer que o Celobar é a razão do óbito. Diomedes seria a 22ª segunda vítima do medicamento, produzido no Rio pelo laboratório Enila. O policial disse que o laudo da perícia deve ficar pronto no prazo máximo de 30 dias. Na sexta-feira, a Fundação Oswaldo Cruz informou ter encontrado grande quantidade de carbonato de bário, substância altamente tóxica, no lote 3040068 do Celobar. O carbonato é usado na fabricação de veneno para ratos. O laboratório Enila admite ter importado 600 quilos da substância, transformados em 595 quilos de sulfato de bário, princípio do remédio, mas negou ter usado o material na produção do Celobar. Segundo as autoridades, a Enila não tem autorização nem tecnologia para realizar esse processamento. Se os exames comprovarem que Diomedes morreu por causa do Celobar, os responsáveis serão acusados por adulteração de medicamento - crime considerado hediondo - e homicídio culposo, informou o delegado. Na segunda-feira ele ouvirá o depoimento do diretor-presidente da Enila, Márcio D?Icarahy, e fará diligências em busca do técnico responsável pela manipulação indevida do carbonato. Um ofício enviado à Secretaria estadual de Saúde por D?Icarahy informa que a substância era usada em experiências conduzidas pelo químico Antônio Carlos Fonseca da Silva. O comerciário Flávio Diomedes, de 47 anos, e o técnico em eletrotécnica Ricardo Diomedes Júnior, de 29, respectivamente irmão e filho do morto, acompanharam a exumação do cadáver, enterrado no cemitério de Ricardo de Albuquerque (zona norte). Chorando, Ricardo disse temer pela saúde da mãe, que está sofrendo crise de hipertensão. "Minha mãe está arrasada, chora o dia todo. É horrível um ser humano morrer como um rato." A família aguarda o resultado do laudo pericial para processar a Enila e comunicou outra irregularidade ao delegado: a clínica São Thiago, onde Diomedes fez raio-x do esôfago, do estômago e do duodeno, cobrou pelo exame, apesar de o paciente ter sido encaminhado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Agencia Estado,

07 Junho 2003 | 18h09

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