Faap quer demolir casario tombado

O alívio dos moradores do Pacaembu durou pouco. Quase cinco meses após o secretário estadual da Cultura, Marcos Mendonça, mandar criar uma comissão para analisar os problemas e ameaças de reversão do tombamento da área, moradores reclamam que nada foi feito."Telefonamos para a secretaria três vezes por semana para marcar reuniões, nos dizem que vão ligar no dia seguinte, mas continuamos esperando resposta", protesta a presidente da Associação Viva o Pacaembu por São Paulo, Iênidis Benfati.Para ela e outros moradores, o silêncio é estranho, principalmente em relação à ameaça de demolição, pela Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), de oito casas num quarteirão tombado.As casas foram preservadas graças à mobilização do bairro. "É uma técnica para que o tema caia no esquecimento", diz o engenheiro Pedro Ernesto Py.No primeiro semestre, moradores descobriram que, por meio da resolução SC54, a secretaria liberara das leis de tombamento de 1991 o quadrilátero ocupado pela Faap, formado pelas Ruas Itatiara, Alagoas, Armando Álvares Penteado e Engenheiro Edgar Egídio de Souza.Além de protestarem por não terem sido avisados da mudança, eles temiam que o precedente servisse à especulação imobiliária.Também questionavam o fato de um professor da Faap, José Guilherme Savoy de Castro, ser diretor-técnico do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado (Condephaat) e ter emitido parecer favorável a projetos de ampliação da fundação.Por fim, perguntavam qual o interesse público em permitir que a fundação cresça numa área tombada e construa um prédio de até 28 metros de altura.Por causa da mobilização, em 7 de julho a Secretaria da Cultura suspendeu a resolução por tempo indeterminado. Em reunião intermediada pelo presidente da Assembléia, Walter Feldman (PSDB), o secretário também propôs a criação da comissão com representantes dos governos estadual e municipal e dos moradores.Até agora, no entanto, não houve progressos, e o temor de que a suspensão seja apenas para "ganhar tempo" aumentou há dois meses quando a Faap tentou demolir sem alvará uma das oito casas do quarteirão.A demolição foi embargada pela Administração Regional da Sé, mas, segundo sua assessoria de imprensa, já há um pedido de reconsideração da decisão."Não se criou comissão, ficou tudo por isso mesmo, e continuam os problemas", diz o conselheiro da Associação dos Moradores e Amigos do Pacaembu, Perdizes e Higienópolis José Roberto Andrade Amaral. "A Praça Charles Miller, por exemplo, deixou de ser pública para ser estacionamento de alunos da Faap."Na quarta-feira, reunião com o urbanista Cândido Malta discutiu propostas para o bairro no novo Plano Diretor. Sobre o caso Faap, houve praticamente unanimidade. "Se a Faap quis ficar onde ficou é porque conhece as restrições do entorno. Se não está feliz, que pense em outros locais", disse ele.O presidente do Condephaat, José Roberto Melhem, disse que todos os setores a serem representados na comissão já foram convidados e ela não foi constituída "pela falta de confirmação dos dois representantes da Secretaria Municipal de Planejamento (Sempla)". A Sempla, porém, diz que não recebeu nenhum comunicado ou convite.Já a assessoria de imprensa da Faap informou que a fundação não tem interesse em comentar o caso.

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