FAB acha destroços espalhados por 5 km

Perícia será feita pela PF no Recife, mas investigação caberá à França

Alberto Komatsu, RIO, O Estadao de S.Paulo

03 de junho de 2009 | 00h00

Quando estavam a dez minutos de deixar o espaço aéreo do Senegal e entrar na área sob controle brasileiro, piloto e copiloto do voo 8055 da TAM (Paris-Rio) avistaram na madrugada de anteontem, no mar, cinco pontos de luz nas cores laranja e vermelha. As chamas foram vistas numa área próxima do local onde a Aeronáutica encontrou ontem os primeiros destroços do avião do voo 447. A TAM e a Air France são as duas únicas companhias que fazem esse trecho com viagens diretas. O trajeto é basicamente o mesmo. Ao chegar ao Rio e ser alertada do desaparecimento, a tripulação deu o alerta.Com base nas informações preliminares, navios de três países (Brasil, França e Senegal) iniciaram buscas às 6 horas de segunda-feira numa região a 93 quilômetros dos Arquipélagos de São Pedro e São Paulo. Os temores da tripulação da TAM se confirmaram na madrugada de ontem, conforme relatou oficialmente, à tarde, o ministro da Defesa, Nelson Jobim. "Agora, não podemos fazer outra coisa que não chorar e apoiar as famílias", afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se encontrava na Guatemala em viagem oficial.De acordo com o ministro Jobim, o primeiro contato visual de destroços foi feito por um avião da Força Aérea Brasileira dotado de sensores (R-99), que detectou restos do avião por volta da 1 hora de terça-feira. Às 5h37, outra aeronave da FAB, um Hércules C-130, visualizou manchas de óleo. Às 6h49, foi identificada uma poltrona de avião. Por último, às 12h30, o C-130 detectou um rastro de vestígios. "Cinco quilômetros de materiais não é de se supor que a maré tenha reunido. A existência da poltrona, do óleo, a identificação do R-99 e agora, complementando, os cinco quilômetros (de destroços), nos permite ter uma posição de que isso é do Airbus da Air France", lamentou.Os trabalhos de buscas na área serão complementados hoje com um navio de abastecimento de combustível que foi deslocado do Rio e está a caminho do local dos destroços (mais informações sobre os grupos de resgate na página C4). O material recolhido será levado a uma distância de até 250 milhas próximas a Fernando de Noronha. Desse ponto, dois helicópteros carregarão o que for encontrado até o arquipélago. Esse limite foi estabelecido por causa da autonomia dos helicópteros, que podem fazer voos de ida e volta que somam 500 milhas.Jobim acrescentou que o trabalho de perícia dos corpos será realizado pela Polícia Federal (mais informações nesta página). Todo o material recolhido será levado de avião de Fernando de Noronha para a capital pernambucana. Segundo uma fonte da Aeronáutica, a Polícia Federal em Pernambuco já estaria colaborando na montagem de um sistema de instalação de rádio, em Fernando de Noronha, para facilitar as comunicações com o Recife. A Assessoria de Comunicação da PF, por sua vez, informou que a ilha já conta com um sistema moderno - chamado tetrapol - que permite que sejam acopladas quantas rádios forem necessárias. INVESTIGAÇÃOAs investigações sobre as causas do acidente serão conduzidas pelas autoridades francesas, conforme tratados internacionais e normas da Organização de Aviação Civil Internacional (Icao, na sigla em inglês). Dois investigadores franceses já chegaram ao Rio para acompanhar o desenrolar dos trabalhos. A legislação aeronáutica estabelece que acidentes em águas internacionais sejam apurados pelo país de registro da aeronave, da companhia aérea ou da fabricante do jato - nos três casos, a França. Jobim adiantou, porém, que será um trabalho de "grande dificuldade", sobretudo para encontrar a caixa-preta do A330-200: a região do acidente tem profundidades de até 3 mil metros. A esperança é de que equipamentos franceses - e americanos, oferecidos pelo presidente Barack Obama - permitam localizar e resgatar a caixa-preta. Caso isso não aconteça, a Organização Internacional de Aviação Civil (Icao) alerta que a investigação poderá levar anos para ser concluída e se tornará uma das mais caras da história na busca por destroços.Como consequência da descoberta das peças do Airbus, o governo brasileiro decretou luto oficial de três dias pelas vítimas. Na França, o torneio de tênis de Roland Garros registrou 1 minuto de silêncio - o mesmo ocorreu em jogos oficiais e no Parlamento.PAPAO papa Bento XVI também enviou condolências às famílias. Ele destacou sua "proximidade espiritual" com as famílias que foram "duramente castigadas" pelo acidente, conforme o Vaticano. Bento XVI invocou "a misericórdia divina" para as vítimas da catástrofe, segundo o secretário de Estado, o cardeal Tarcisio Bertone. COLABORARAM ÂNGELA LACERDA, LEONENCIO NOSSA e LUCIANA NUNES LEAL

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