FAB apura excesso de peso em avião

Tragédia em Manacapuru deixou 24 mortos; aeronave transportava 28 pessoas, mas tem capacidade para 21

Renata Magnenti, MANAUS, O Estadao de S.Paulo

09 Fevereiro 2009 | 00h00

A Aeronáutica investiga se o avião Bandeirante da Manaus Aerotáxi, que caiu no sábado matando 24 pessoas, 18 da mesma família, estava com sobrepeso desde a decolagem. A apuração é realizada pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). O turboélice poderia se manter no ar com um só motor, desde que o limite de peso não fosse excedido. A aeronave estava certificada para transportar 19 pessoas, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), e levava 28, incluindo dois tripulantes. Somente quatro sobreviveram.Segundo a Aeronáutica, o avião sofreu pane em um dos motores e o piloto César Grieger tentou um pouso forçado no rio, a 500 metros da pista do Aeroporto de Manacapuru, a 102 km de Manaus. O PT-SEA seguia de Coari para a capital do Estado e caiu às 16 horas do sábado. Esse foi o segundo maior acidente aéreo do Amazonas - em 2003, um avião da empresa Rico que ia de São Gabriel da Cachoeira para Manaus caiu, matando 33 pessoas. O tenente-coronel Vladimir Marques, do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa), informou que em dez dias será concluída a análise inicial. Só então começará uma investigação mais detalhada, que pode demorar um ano. "Todo o material será enviado ao Cenipa, que dará o laudo final."O vice-presidente da Manaus Aerotáxi, Fernando Pacheco Filho, descartou a possibilidade de a aeronave ter caído por causa do sobrepeso sem, porém, apresentar documentação contrária. Filho do dono da empresa, ele frisou que a documentação do aparelho e da tripulação estava em ordem - a Anac confirmou. Segundo a seguradora Correct, em janeiro o seguro do avião foi renovado. Pacheco afirmou que é normal que crianças de colo viajem com adultos. "Elas podem ir no colo dos pais. Isso é liberado", ressaltou. Ele explicou que a empresa foi informada de que haveria oito crianças de colo, com até 2 anos de idade. "Não podíamos dizer que crianças acima desta idade não poderiam viajar no colo dos pais. O avião foi fretado. Não podemos tirar passageiros", justificou.Acostumado a pilotar modelos como o da Manaus, um comandante que se identificou como Carlos (nome fictício) admitiu que o excesso de bagagens de mão e de passageiros podem ter causado o acidente de sábado. Outro piloto que já voou por companhias em todo o País contou que é comum o excesso em viagens no Norte e Nordeste. "Muitas vezes há configuração de passageiros de colo, mas eles deveriam utilizar assentos sozinhos. Famílias viajam com muita bagagem de mão." Esse modelo de Bandeirante tem capacidade para 19 passageiros e 2 tripulantes, além da carga. Trata-se de um turboélice que consegue manter o voo quando há pane em um dos motores. "Nesse caso o comandante não conseguiu manter o controle do avião. Isso demonstra que deveria haver excesso de peso", explicou Carlos. Dados do fabricante mostram que o peso máximo na decolagem para o modelo é de 5.670 quilos. Outro problema levantado é a omissão do peso real das bagagens, que deve constar em relatório. "Não se mente o número de passageiros porque o seguro não paga em caso de acidente. Mas é possível omitir o peso real da bagagem", explicou o piloto. COLABOROU EDUARDO REINA

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