FAB aumenta carga de trabalho de controladores

A Força Aérea Brasileira (FAB) anunciou a redução do número de operadores que monitoram aviões em horários de pico no centro de Brasília (Cindacta-1), que controla 80% do tráfego aéreo do País. A nova regra já estava em vigor no Cindacta-2, em Curitiba, onde provocou insatisfação. Pela nova norma, para que três conjuntos de telas de radar estejam controlando cada uma o máximo de 14 aeronaves, são necessários a partir de agora oito controladores, e não nove como ocorria antes, além de dois supervisores.Embora a medida tenha sido assinada em 20 de dezembro, só entrou em vigor no Cindacta-1 recentemente, quando houve falta de pessoal em um dia de grande movimento. A chefia do centro aproveitou para anunciar as novas regras quando os controladores perceberam que só oito profissionais estavam trabalhando e tentaram colocar em prática o protocolo de segurança usual, avisando que iriam fechar um dos conjuntos de telas. Isso implicaria atrasos e no aumento do intervalo entre as decolagens e pousos, medida responsável pelos tumultos nos aeroportos e pelo apagão aéreo de novembro.A chefia do Cindacta-1 garantiu que as novas regras valem para o período de férias, mas os controladores temem que virem rotina. À imprensa, a Aeronáutica disse que trabalha com número adequado de controladores. Além de adotar a medida, a Força Aérea tenta se adaptar à falta de profissionais, reduzindo de 40 horas para 20 horas o treinamento de pessoal.Na terça-feira, o presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Proteção ao Vôo, Jorge Botelho, expôs ao ministro da Defesa, Waldir Pires, o descontentamento dos controladores. Eles reclamam que profissionais aposentados convocados de volta ao trabalho por causa do apagão não têm condições de assumir a função. CríticaA presidente do Sindicato dos Aeronautas, Graziella Baggio, criticou na quarta-feira a decisão do comando da Aeronáutica de criar, ´como num passe de mágica´ , os Serviços Regionais de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa). ´No momento em que todos os países transferem para a área civil as investigações dos acidentes aeronáuticos e para agências independentes, a Aeronáutica assegura a reserva de mercado. É um completo retrocesso´, desabafou ela.Na própria Aeronáutica, uma ala de brigadeiros considerou a portaria ´inoportuna´.

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