FAB investe R$ 60 mi em tráfego aéreo

Novo sistema tem comunicação de texto entre piloto e controlador e permitirá dobrar operações sob o Atlântico

Mariana Barbosa, O Estadao de S.Paulo

05 de março de 2008 | 00h00

A Força Aérea Brasileira (FAB), com recursos do Fundo Aeronáutico, está investindo R$ 60 milhões na modernização das estações de trabalho dos controladores de tráfego e em novos softwares que permitem a troca de dados via satélite. Na prática, isso permitirá aumentar a capacidade de monitoramento de aeronaves. Num segundo momento, os novos softwares permitirão que pilotos e controladores se comuniquem por mensagens de texto (em um formato semelhante ao MSN). Se esse equipamento estivesse em funcionamento, diminuiriam as possibilidades de acontecer tragédias como a do vôo 1907, em 29 de setembro de 2006, que deixou 154 mortos. O novo sistema, quando estiver 100% operacional, notará imediatamente a perda de sinal do transponder. Além disso, o plano de vôo (que causou confusão entre pilotos e controladores, contribuindo para o acidente) será informado via texto.Esse upgrade tecnológico vai dobrar a capacidade de tráfego na região do Atlântico sob controle brasileiro - uma área que vai até a metade do caminho com a África. A distância entre as aeronaves cairá de 200 quilômetros para 100 quilômetros. "É muito comum o controle não autorizar a decolagem de um vôo internacional em Guarulhos por conta de congestionamento no meio do oceano", explica o consultor de tráfego aéreo Eno Siewerdt. "Vai melhorar muito." Atualmente, a comunicação na região se dá por rádio em alta freqüência (HF), que sofre muitas interferências, e é comum piloto e controlador ficarem mais de uma hora sem se comunicarem. A modernização tecnológica está sendo feita em etapas, começando pelas áreas de controle menos complexas. Inicialmente, só o centro de controle de área ACC Atlântico (Recife), responsável por controlar o tráfego de aeronaves de todo o mundo sobre o Atlântico, estará equipado com um sistema de controle de tráfego por satélite, o ADS (Automatic Dependent Surveillance).O ADS permite a troca automática de informação entre a cabine do avião e a mesa do controlador. Bastará que o transponder do avião esteja ligado para que o controlador saiba exatamente a localização do avião. Isso permitirá ao controlador visualizar de uma só vez todas as aeronaves que estão sobrevoando a região. O contato entre piloto e controlador passa a ser feito não mais por voz, mas por meio da troca de mensagens de texto, pelo CPDLC (Controller Pilot Datalink Communications)."É uma tecnologia 100% nacional", explica o diretor de Defesa da empresa Atech, Cláudio Carvas. Para que todo o Atlântico Sul seja controlado por satélite, sistemas similares estão sendo instalados em Dacar, Cabo Verde, Ilhas Canárias, Johannesburgo e Santa Maria de Lisboa.TELASO programa de modernização da FAB atinge 22 dos 29 centros de controle de aproximação (APPs), onde se encontram os radares, e os 4 centros de controle de área (ACC) nos Centros Integrados de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (Cindactas) de Brasília, Curitiba, Recife e Manaus. Para esses centros, a modernização consiste apenas na atualização das estações de trabalho, com monitores de alta definição e tela de cristal líquido (após o acidente da Gol, os operadores reclamavam que as telas em preto-e-branco eram de difícil visualização), computadores potentes e outros equipamentos de comunicação. Esses equipamentos funcionarão com um novo software. Ao todo, 130 estações de trabalho estão sendo modernizadas - a metade já está em operação. O restante deve ficar pronto até 2010. Para o presidente da Comissão de Implantação do Sistema de Controle do Espaço Aéreo (Ciscea), coronel Carlos Aquino, a velocidade com que todo o sistema passará a funcionar por satélite (ADS), com transmissão de dados (CPDLC), dependerá de questões técnicas, operacionais e financeiras. "Mas o mundo está migrando para isso."

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