FAB investiga se clarões no Atlântico são de Airbus perdido

Tripulação da TAM avistou 'pontos laranjas' no oceano, o que poderiam ser destroços do avião da Air France

01 de junho de 2009 | 21h16

A Força Aérea Brasileira (FAB) confirmou na noite desta segunda-feira, 1.º, que parte da tripulação de um avião da companhia aérea TAM avistou "pontos laranja" no Oceano Atlântico, que poderiam ser os destroços do Airbus da Air France desaparecido desde a noite de domingo, 31.

 

Veja também:

lista Todas as notícias sobre o voo 447

lista Lista de brasileiros que estavam no voo

Voo 447 reportou pane antes de desaparecer dos radares

Conheça o Airbus A330 desaparecido no trajeto Rio-Paris  

blog Acompanhe a cobertura pelo blog Tempo Real

som Podcast: Especialista não tem dúvidas de que avião da Air France caiu no mar

som Podcast: Coronel da FAB fala sobre o desaparecimento do avião da Air France

especial Cronologia dos piores acidentes aéreos dos últimos dez anos

mais imagens Veja Galeria de fotos

especial Anac monta sala no Galeão para familiares; veja telefones de contato

video TV Estadão: Especialista fala sobre o acidente

Airbus pode ter sido atingido por raio durante tempestade

Voo 447 pode ter tido problemas em zona intertropical

 

Segundo a FAB, a nave da TAM estava a cerca de 10 minutos do espaço aéreo do Brasil e, portanto, sobrevoava o espaço aéreo do Senegal, quando relatou que avistava possíveis chamas sobre o oceano. A informação confirma o que o vice-presidente brasileiro, José Alencar, havia dito durante a tarde desta segunda-feira, 1º.

  

 

Mais cedo, o diretor-presidente da Air France, Pierre-Henri Gourgeon, declarou que as buscas serão intensificadas em "uma zona identificada com uma margem de erro de algumas dezenas de milhas náuticas", situada próxima à metade do caminho entre Natal, no Brasil, e Dacar, no Senegal.

 

As buscas pelo Airbus contam com cinco aviões e dois helicópteros da FAB. A Marinha brasileira participa da operação com os navios patrulha Guarujá, que saiu de Natal (RN), Fragata Constituição, cujo ponto de partida será Salvador (BA), e Corveta Caboclo, que estava ancorada em Maceió (AL). Aviões da França e da Espanha e quatro navios mercantes também buscam pela aeronave. Além disso, sistemas de satélites do Pentágono mobilizaram forças na localização da aeronave e na procura de sobreviventes.

 

Até o momento, a Aeronáutica não detectou sinais que possam ter sido emitidos por um aparelho do avião. Entretanto, a possibilidade de o aparelho começar a funcionar, caso não tenha sido destruído, não é descartada. Nem a Air France, nem o centro de crise do governo francês confirmam a informação de que destroços do avião teriam sido localizados no espaço marítimo do Senegal.

 

Os 228 passageiros e tripulantes têm "escassas perspectivas" de serem localizados, nas palavras do presidente Nicolas Sarkozy. De acordo com o diretor-presidente da companhia, Pierre-Henri Gourgeon, as buscas, entretanto, serão intensificadas hoje em "uma zona identificada com uma margem de erro de algumas dezenas de milhas náuticas", situada próxima à metade do caminho entre Natal, no Brasil, e Dacar, no Senegal.

 

Fernando de Noronha

 

O aeroporto do arquipélago de Fernando de Noronha passou a funcionar nesta segunda em estado de prontidão. Normalmente, seu funcionamento é das 8 às 20 horas. Mas, diante do desaparecimento, um funcionário permanecerá de plantão e outros 14 poderão ser acionados a qualquer momento, caso haja necessidade.

 

O gerente de operações do aeroporto, Carlos Gouveia, explicou que, por enquanto, o terminal será utilizado para o abastecimento de aeronaves. Ele poderá se tornar a base dos aviões da FAB apenas se for confirmado que os destroços do Airbus estejam localizados até um raio de 500 km.

 

Ajuda internacional

 

A aeronave também é procurada por quatro navios mercantes que circulam por aquela área do Oceano Atlântico. A pedido da Marinha brasileira, os navios mercantes Lexa Maersk, Jo Cedar, Ual Texas e Stolt Inspiration foram contatados via satélite e começaram sua busca.

 

Um avião da Força Aérea Francesa, o Atlântico 2 partiu de uma base francesa de Dacar, no Senegal, e faz o sentido contrário da rota do voo 447, da Air France. Esse avião é o primeiro do lado europeu a fazer esse percurso após o desaparecimento da aeronave.

 

Nesta terça-feira, 2, outros dois aviões (um Falcon 50 e outro Atlântico 2) vão partir de Dacar para concentrar as buscas no Golfo de Guiné, onde se supõe que o avião tenha desaparecido. A França também enviou um navio que estava na costa da Guiné para a região, mas ele estaria a algumas horas de viagem.

 

Os espanhóis também estão ajudando nas buscas e mandaram um avião da Guarda Civil e um Focker que pertence ao Serviço Aéreo de Resgate da Aeronáutica, com base no arquipélago das Ilhas Canárias. O avião de reconhecimento da Guarda Civil partiu da capital senegalesa, onde participa de um programa de prevenção à imigração ilegal na Europa, informou um porta-voz do Ministério de Interior espanhol. Já o Foker, viaja a Cabo Verde para se juntar à busca pela aeronave da Air France.

 

O vice-chefe do centro de comunicação social da Aeronáutica, coronel Jorge Amaral, informou que a Força Aérea Americana se colocou à disposição para ajudar nas operações de busca.

 

Voo 447

 

O voo 447 levava 126 homens, 82 mulheres, 7 crianças e um bebê, além dos 12 tripulantes - 3 tripulantes técnicos e 9 comissários. Segundo a companhia, a aeronave entrou em funcionamento em 2005 e recebeu manutenção pela última vez em 16 de abril deste ano. O acidente é o mais grave da história da empresa. O avião deveria ter chegado a Paris às 11h (6h, horário Brasília), mas perdeu o contato.

 

Segundo a relação divulgada pela Air France, dos passageiros do Airbus desaparecido, são 61 franceses e 58 brasileiros. Porém, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) afirmou que a Polícia Federal apurou que 52 brasileiros estavam no voo - mais tarde alteraram o número para 57 -, e muitos desses passageiros têm dupla nacionalidade - brasileiros com naturalidade francesa e vice-versa -, o que dificulta o trabalho de checagem na lista de passageiros, que está sendo feito com ajuda da Polícia Federal.

 

Além disso, viajavam 26 alemães, nove italianos, seis suíços, cinco libaneses, quatro húngaros, três eslovacos, três noruegueses, três irlandeses, dois americanos, dois espanhóis, dois marroquinos e dois poloneses. Havia também um cidadão de cada um dos seguintes países: África do Sul, Argentina, Áustria, Bélgica, Canadá, Croácia, Dinamarca, Islândia, Estônia, Gâmbia, Holanda, Filipinas, Romênia, Rússia, Suécia e Turquia. Ainda não há previsão para a divulgação da lista com o nome dos passageiros.

 

Causas

 

A investigação das causas do acidente foi entregue ao Escritório de Investigações e Análises para a Segurança da Aviação Civil (BEA), da França. Os motivos para o desaparecimento do Airbus A330 da Air France seguem desconhecidos. A Air France fez um relato das horas seguintes a sua decolagem do aeroporto Tom Jobim, no Rio de Janeiro, às 19h (Brasília). Segundo a companhia, o avião atravessou uma zona de tempestades e turbulências fortes que poderiam ter afetado seus circuitos elétricos. Durante o voo, a 1.228 quilômetros de Natal, a aeronave informou perda de pressurização. O diretor de comunicação da companhia, François Brousse, declarou que também é possível que o avião tenha sido atingido por um raio.

 

Outra possível causa é a condição climática da região onde o avião teria desaparecido. Trata-se da chamada zona de convergência intertropical, onde há a formação de muitas áreas de instabilidade, com raios e tempestades. De acordo com a meteorologista da Climatempo, Fabiana Weykamp, esta hipótese não pode ser descartada, mas ela destaca que esta zona de convergência intertropical é muito conhecida de pilotos e companhias aéreas. Portanto, esta instabilidade da região seria levada em conta no plano de voo da aeronave da Air France.

 

A falta de explicações para o acidente obrigou o diretor-presidente da Air France, Pierre-Henri Gourgeon, e o ministro da Ecologia e dos Transportes da França, Jean-Louis Borloo, a admitirem, ainda na noite de ontem, que a hipótese de ato terrorista não está sendo ignorada. "Nada pode ser descartado", afirmou Borloo. Embora o Brasil não seja alvo de ações terroristas, a França é, constantemente, objeto de ameaças provenientes de grupos islâmicos extremistas.

 

Veja os contatos feitos pela aeronave:

 

- 19h30 (horário de Brasília) - a aeronave decolou do Aeroporto do Galeão

  

- 22h33 (horário de Brasília) - a aeronave realizou o último contato via rádio com o Centro de Controle de Área Atlântico (Cindacta III), na posição INTOL que está localizada a 565 quilômetros de Natal (RN). Neste ponto, a aeronave informou que ingressaria no espaço aéreo de Dakar, a 1.228 quilômetros de Natal, às 23h20 (horário de Brasília).

  

- 22h48 (horário de Brasília) - a aeronave saiu da cobertura radar do Cindacta III, de Fernando de Noronha. As informações indicavam que a aeronave voava normalmente a 35.000 pés (11 quilômetros) de altitude e a uma velocidade de 453 KT (840 quilômetros por hora).

  

- 23h20 (horário de Brasília) - este era o horário estimado para o novo contado da aeronave, o que não aconteceu. O Cindacta III informou a falta de contato ao Controle Dakar.

 

 - 02h30 (horário de Brasília), desta segunda-feira (dia 1º), o Salvero Recife acionou os meios de busca da Força Aérea Brasileira (FAB), com uma aeronave C-130 Hércules e uma P-95 Bandeirante de patrulha marítima, além do Esquadrão aeroterrestre de Salvamento (PARASAR).

  

- 8h30 (horário de Brasília), desta segunda-feira (dia 1º) - a Air France informou ao Cindacta III que a aproximadamente 100 quilômetros da posição Tasil, a 1.228 quilômetros de Natal, o voo 447 enviou uma mensagem para a companhia informando problemas técnicos na aeronave (perda de pressurização e falha no sistema elétrico).

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.