FAB manda prender líder de controladores de São Paulo

Punição seria retaliação dos oficiais às declarações do presidente da Febracta

Agencia Estado

21 de junho de 2007 | 13h03

A Aeronáutica determinou, nesta quarta-feira, 20, a prisão administrativa do sargento Carlos Trifilio, presidente da Federação Brasileira das Associações de Controladores de Tráfego Aéreo (Febracta). Segundo pessoas próximas ao controlador, a punição teria sido uma retaliação dos oficiais às recentes declarações dadas por Trifilio à imprensa. Embora não esteja relacionada à operação padrão deflagrada na terça-feira, 19, por militares do Cindacta-1, a prisão serviu para agravar a crise entre controladores e o alto comando da Força Aérea Brasileira.No início da noite de quarta-feira, integrantes da categoria voltaram a cogitar uma nova paralisação, a exemplo do que ocorreu em 30 de março. "Não tem mais como segurar os meninos. Ainda vamos nos reunir para saber o que fazer, mas pode se preparar para um novo movimento", disse um controlador de São Paulo.A prisão de Trifilio será de 20 dias e está marcada para começar em 2 de julho. Há 20 anos no setor de tráfego aéreo, o sargento passou pelo pelo APP São Paulo, anexo ao Aeroporto de Congonhas, e atualmente trabalhava na Base Aérea de Cumbica, em Guarulhos. "Ele já estava segregado por ser considerado um líder", disse outro militar. Nos próximos dias, Trifilio vai recorrer à Justiça comum para tentar anular a punição. "Da última vez que ele fez isso, os oficiais agravaram a pena por entenderem que aquele era um gesto de desrespeito", comentou um sargento.Procurada, a FAB não se pronunciou até as 20 horas.Atrasos pelo PaísTodas as decolagens do Aeroporto de Brasília foram suspensas às 17h14 de quarta-feira, supostamente por uma queda na freqüência do sistema de radares do Cindacta 1. Durante uma hora e 15 minutos nenhum avião saiu do chão. Somente às 18h30, as partidas foram autorizadas para a maioria das regiões do País. Os vôos com destino ao Sul e ao Sudeste ainda não estavam liberados. Devido ao problema, os controladores iniciaram uma operação padrão com espaçamento maior entre os aviões. Em São Paulo, as restrições de decolagens começaram por volta de 17h20. Todos os vôos que iriam para Brasília e Goiânia foram suspenso por 20 minutos. "Depois disso, eles voltaram a liberar as decolagens mas com espaçamento de 30 em 30 minutos", explicou o chefe do Serviço Regional de Proteção ao Vôo de São Paulo (SRPV-SP), coronel Carlos Minelli. Segundo a Infraero, até as 19 horas, no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, 43% das decolagens apresentaram atrasos: dos 176 vôos programados, 76 atrasaram. Onze vôos foram cancelados. Por volta de 18h45, o pátio do Aeroporto de Congonhas, na zona sul, já estava com 90% de lotação. A situação no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, era tranqüila, segundo a Infraero. Não havia grandes filas nos balcões de check-in nem nos acessos aos portões de embarque. "Estamos administrando com o Rio e Curitiba para não deixar o pátio lotar", afirmou o coronel. Segundo Minelli, os vôos para a região Sul e Rio de Janeiro não foram afetados. Apenas as aeronaves que iriam para Norte, Nordeste e Centro-Oeste tinham que obedecer o espaçamento determinado pelo Cindacta 1. A alegação dada pelos controladores de Brasília ao pessoal de São Paulo era que os mesmo problemas técnicos de terça - falta de condições nas telas dos monitores (consoles) - se repetira. A nova operação deve acarretar novos atrasos pelos aeroportos do País.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.