FAB processa ex-capelão acusado de promover orgias

Acusado de promover orgias em território militar e de desviar dinheiro da Igreja para presentear garotos de programa, além de suspeito de envolvimento nas mortes de dois soldados, o padre José Severino Cheregatto, de 42 anos, ex-capelão da Base Aérea de Fortaleza, vai responder a processo movido pelo comando da Força Aérea Brasileira (FAB). Caso seja considerado culpado, o religioso - que tem patente de capitão e atualmente trabalha em Manaus - deverá ser expulso da Aeronáutica e suspenso das ordens.Depois de vasculhar a casa dele, na capital amazonense, na sexta-feira (17), cumprindo mandado judicial, oficiais de justiça apreenderam agendas, documentos pessoais, um computador e quase duas centenas de fotografias de homens nus. São fotos de civis e militares em poses eróticas. Alguns deles com parte do fardamento militar. A documentação foi repassada pelo promotor militar Alexandre Saraiva, responsável pelo caso, para o comando da FAB, em Brasília.O escândalo envolvendo o capelão ganhou as manchetes dos jornais cearenses nesta terça-feira. Querido pela alta sociedade local, a descoberta das fotos e a notícia de que ele poderia ter algum tipo de participação nas mortes dos soldados Francisco Cleoman Fontenele Filho e Robson Mendonça Cunha, ocorridas em setembro de 2004 no interior da Base Aérea, caíram como uma bomba na cidade. Antes freqüentador assíduo das colunas sociais, Cheregatto hoje é destaque no noticiário policial.Depois de prestar depoimento, o religioso passou mal e foi levado para o hospital do VII Comando Aéreo Regional em Manaus (Comar VII). De acordo com o jornal O Povo, antes de ser internado, o capelão teria confessado que fez as fotos dos garotos de programa, mas negou que seus encontros amorosos tenham ocorrido no interior da vila militar da Base de Fortaleza, localizada na Praia de Iracema. Embora, depoimentos de alguns dos rapazes apontem para versão contrária.No início de fevereiro deste ano, começaram a circular em Fortaleza boatos de que Cheregatto teria cometido suicídio em São Paulo. Ele mesmo desmentiu a boataria. E, em entrevista ao jornal Diário do Nordeste publicada no dia 24 de fevereiro, se dizendo muito triste, chateado e revoltado, negou qualquer tipo de participação nas mortes dos dois soldados. "Não quero ser usado como bode expiatório. Vão ficar difamando um padre, depois se esquece a investigação, pega outro caminho e fica por isso mesmo. Não quero ficar injustiçado por toda uma sociedade. Não tem culpado, então vamos pegar o padre? Estou muito triste, mas confio muito em Deus e na Justiça também", declarou o capelão na época.CrimeNo dia dez de setembro de 2004, Robson Mendonça e Francisco Cleoman foram encontrados mortos com um tiro na cabeça em um alojamento da Base Aérea. A primeira versão levantada pelos investigadores era de assassinato seguido de suicídio. Exames comprovaram, no entanto, que nenhum dos dois usou arma de fogo. As investigações sobre o caso corriam em segredo de Justiça.Cheregatto foi transferido para a capital amazonense, coincidentemente, depois do crime. Em Fortaleza, ele atuou por 11 anos na Igreja de Nossa Senhora de Loreto, situada na Aerolândia, bairro onde fica a Base Aérea.Apesar de ganhar pouco mais de R$ 4 mil mensais como capitão-capelão, o religioso é acusado de desviar cerca de R$ 5 mil dos cofres da Igreja para presentear seus supostos amantes com casa, carro e bolsas de estudo.Por ser capelão, Cheregatto não tinha vínculo com a Arquidiocese de Fortaleza, que preferiu não se manifestar sobre o assunto.

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