FAB quer expulsar 50 controladores, dizem deputados

São sargentos que teriam liderado paralisação dos controladores em 30 de março

Agencia Estado

21 de junho de 2007 | 13h03

O Ministério da Aeronáutica quer expulsar cerca de 50 sargentos que são controladores de vôo e lideram movimento da categoria por melhores salários e condições de trabalho. A informação é de deputados da CPI do Apagão Aéreo que estiveram na quarta-feira, 20, reunidos com oficiais da Força Aérea Brasileira (FAB) e com controladores de vôo no Centro de Controle e Defesa do Espaço Aéreo (Cindacta 1), que fica em Brasília. Os deputados ficaram apreensivos diante do clima de animosidade entre controladores e oficiais da Aeronáutica."Um dos oficiais nos disse que a única solução é expulsar 50 controladores", afirmou a deputada Luciana Genro (Psol-RS), que passou o dia no Cindacta 1. Esses controladores participaram do motim no dia 30 de março, quando foram paralisados todos os vôos no Brasil, e são alvo de Inquérito Policial Militar (IPM).Os IPMs abertos foram prorrogados por mais 20 dias. Inicialmente, a expectativa era de que seis controladores seriam punidos com a expulsão da FAB e prisão pela paralisação das atividades no fim de março. Um deles é Wellington Rodrigues, presidente do Sindicato dos Controladores de Vôo. Nas oito horas em que estiveram no Cindacta 1, que monitora a região Sudeste, os integrantes da CPI chegaram à conclusão de que o clima entre os oficiais e os controladores de vôo está insustentável. "Há uma crise de confiança entre controladores, técnicos e oficiais", disse o deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP). Ele propôs que a CPI do Apagão Aéreo tente intermediar um diálogo entre os controladores e o Ministério da Defesa. "Não há diálogo entre os controladores e os oficiais. Os controladores também não têm interlocução com o governo", afirmou o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR).No encontro com integrantes da CPI, os controladores explicaram que relevavam falhas nos equipamentos do Cindacta até o acidente entre o boeing da Gol e o jato Legacy, em 29 de setembro de 2006. "Mas depois do acidente eles começaram a reportar a seus superiores por escrito tudo o que ocorria de errado e a exigir que os técnicos consertassem os equipamentos", contou Fruet. "Com isso houve uma ruptura entre controladores e oficiais. Um não confia no outro", completou o tucano, que não descarta uma paralisação dos controladores de vôo nos jogos Pan-Americanos, que começam no dia 13 julho.Espécie de porta-voz dos controladores na Câmara, Luciana Genro disse que a situação é de ruptura. "O clima é terrível´, resumiu. A tensão aumentou depois que o Ministério Público denunciou os controladores de vôo por crime culposo no episódio do acidente com o avião da Gol. "A Aeronáutica colocou todos os problemas apenas nas costas dos controladores", observou a deputada, que é favorável à desmilitarização do controle de vôo no Brasil. Para o deputado Fábio Ramalho (PV-MG), os controladores de vôo estão se comportando com "excesso de prudência e formalidade". "Eles fazem operação padrão porque querem que os equipamentos funcionem 100%", disse Ramalho. "Eles (controladores) alegam que o console está com defeito e param tudo. Fazem isso porque estão tentando ter aumento de salário e proteger os colegas que foram acusados de crime pelo acidente da Gol", afirmou Ramalho. Segundo o diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) , brigadeiro Ramon Cardoso, os equipamentos do Cindacta estão sendo substituídos antes do vencimento da data limite de validade. Ele garantiu ainda que os equipamentos praticamente não apresentam falhas. "A disponibilidade nossa é de aproximadamente 99%. Isso significa que durante um ano inteiro vamos ter equipamento que vai falhar 30 minutos", afirmou o brigadeiro, ao informar que o sistema de controle de tráfego aéreo em todo o País tem atualmente 5,8 mil equipamentos.

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