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Evelson de Freitas/AE - 19/03/2003
Evelson de Freitas/AE - 19/03/2003

Facção do Rio disputa poder com PCC em São Paulo

ADA tenta controlar pontos de tráfico e batiza detentos paulistas em Presidente Prudente

Josmar Jozino, Jornal da Tarde

26 de outubro de 2009 | 09h02

A guerra do tráfico, comum nos morros do Rio, está próxima de São Paulo. A facção criminosa fluminense Amigos dos Amigos (ADA) montou bases nas ruas e em presídios paulistas. Com líderes presos em Presidente Prudente, eles migraram com uma missão: tirar do Primeiro Comando da Capital (PCC) o monopólio da venda de maconha e cocaína no Estado. Os grupos já travaram tiroteio na região oeste, mas a polícia nega.

No Rio, a ADA é unida ao Terceiro Comando e inimiga do Comando Vermelho (CV). Em São Paulo, o grupo é aliado ao Terceiro Comando da Capital (TCC) e rival do PCC, organização coligada ao CV.

Uma carta apreendida em maio deste ano no Centro de Detenção Provisória 2 (CDP) do Belém, na zona leste, dominado por presos do PCC, comprova a ação do grupo fluminense em território paulista. Um trecho da correspondência escrita por um detento diz que os líderes da ADA em São Paulo são os presos Robson, Axel e Alexandre, que batizaram "afilhados" nos xadrezes 1, 2, 3 e 4 da ala do seguro (isolamento) da unidade.

Outro trecho diz que os líderes da ADA no CDP 2 do Belém tinham dois celulares, fichas de inscrição para os interessados em ingressar na facção e cópias do estatuto do grupo. Fontes do sistema prisional contaram à reportagem que a ADA mantinha, em maio, pelo menos 20 "filiados" no CDP 2 do Belém, convivendo com presos do TCC.

Nas conversas com líderes da ADA, agentes penitenciários apuraram que parte do grupo fluminense, assim que migrou do Rio, dominou um ponto de venda de drogas em Osasco, na Grande São Paulo. Os agentes descobriram que a meta da ADA é tomar, com o TCC, o maior número de pontos de drogas do PCC no Estado.

Alguns meses após a apreensão da carta, presos ligados às facções ADA e TCC foram transferidos para a Penitenciária de Presidente Prudente. Na noite de 7 de agosto, integrantes da ADA e do PCC trocaram tiros no bairro Jardim Morada do Sol. Cinco homens foram presos e dois adolescentes detidos. Segundo a polícia, os dois grupos disputavam pontos de drogas.

No último dia 17, a ADA deu outra demonstração de ousadia em São Paulo. Degmar Rufino, de 43 anos, o Cigano, integrante do grupo e foragido da Penitenciária de Presidente Prudente, ateou fogo no escritório de seu advogado. Motivo: o defensor não conseguiu a progressão do regime fechado ao semiaberto. Segundo a Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Cigano agiu com a mulher, o filho e a nora, presos na Rodovia Anhanguera.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) foi informado na semana passada sobre a existência de integrantes da ADA em presídios paulistas. Promotores de Justiça buscam informações sobre a coligação da ADA com o TCC em São Paulo.

Defesa

A Delegacia Seccional de Presidente Prudente, na região oeste do Estado, confirmou que um tiroteio em agosto, no Jardim Morada do Sol, foi motivado pela disputa por pontos de vendas de drogas. Mas negou que esse confronto tenha ocorrido entre integrantes de facções criminosas. "Não apuramos a participação dos envolvidos, presos em flagrante, com grupos criminosos", disse a delegada-assistente Sandra Cristina Tartari Fernandes, após consultar o subordinado responsável pelo inquérito policial.

Já um funcionário da Penitenciária de Presidente Prudente afirmou que a ADA predomina entre os 823 presos da unidade, que tem capacidade para 630. "A ADA conta com pelo menos 200 presidiários em Presidente Prudente. Alguns líderes do grupo são do Rio e foram presos em São Paulo, na capital." A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) foi procurada pela equipe de reportagem para comentar o assunto, mas informou que não se manifesta sobre supostas facções criminosas.

Já o Gaeco informou à reportagem que um grupo de presos criou outra facção criminosa denominada S.A. - a Sociedade Amigos do Crime. Os líderes da nova organização estão presos na Penitenciária de Iaras, região central do Estado. A maioria é dissidente do PCC. Nas ruas, a S.A. também contaria com integrantes que foram expulsos do PCC e outros filiados que deixaram o TCC.

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