Facções criminosas planejam fundir-se na "Fraternidade"

Os criminosos ligados ao Comando Vermelho (CV), do Rio, e ao Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, planejam a fusão dessas organizações, que resultaria numa terceira, chamada Fraternidade. O objetivo seria controlar todo o tráfico de drogas no País, sob o comando de Fernandinho Beira-Mar, com verdadeiros exércitos de bandidos dotados de armamentos ultramodernos.A revelação está no livro CV/PCC, a Nova Irmandade do Crime, do jornalista Carlos Amorim, de 50 anos, diretor de jornalismo da Rede Bandeirantes. A edição deve ser lançada no próximo ano. Depois de 20 anos de estudos sobre a história do crime organizado no Brasil, Amorim chegou a uma dura constatação: as condições que facilitaram, em 1982, o surgimento do tráfico de drogas no Brasil, se tornaram ainda mais fortes."Houve uma grande pauperização das metrópoles, o sistema penitenciário decaiu mais, e as leis não acompanharam a evolução do crime", afirma. O livro anterior do jornalista - Comando Vermelho, a História Secreta do Crime Organizado, lançado em 1994, também pela Editora Record - teve seis reedições e chegou a integrar bibliografias de cursos do Estado-Maior do Exército.Ex-colega de trabalho do repórter da Rede Globo Tim Lopes, Amorim dedica o livro ao amigo. Neste ano, o narcotráfico completa, de acordo com o jornalista, 20 anos de Brasil. A história desse tipo de crime começou quando Pablo Escobar, então poderoso chefão do Cartel de Medellín, decidiu se aliar a sócios nacionais para expandir seus negócios em um país que era apenas um corredor de exportação da droga para Europa e Estados Unidos.Escobar tinha o sonho de unificar todas as organizações criminosas da Colômbia. Embora a idéia não tenha dado certo lá, pode se tornar realidade aqui. "Aqui não há bases de refino de cocaína nem produção regular da droga, o que leva as rivalidades a serem bem menores", compara.Com base em dados do especialista inglês Peter Lilley, o jornalista calcula que cerca de US$ 1,5 trilhão provenientes de crimes circulem pelo mundo. Entre US$ 600 bilhões e US$ 800 bilhões viriam de entorpecentes. "É impossível lidar com uma montanha de dinheiro dessas sem contar com o mercado financeiro, ou seja, com os bancos legalmente constituídos", acredita.No Brasil, de acordo com Amorim, o tráfico se apodera, cada vez mais, de parcelas do poder institucional, sem nada de paralelo. "No Rio, os traficantes tomaram o poder local - por meio do controle das associações de moradores - já começam a eleger vereadores e, no Espírito Santo, a julgar pelas denúncias da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o crime chegou ao poder", alerta.

Agencia Estado,

26 de novembro de 2002 | 23h38

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