Faculdade de Ribeirão Preto vai "amadrinhar" Febem

O secretário estadual de Educação, Gabriel Chalita, e o presidente da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem), Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, visitaram as três unidades de internação de Ribeirão Preto, nesta sexta-feira, para conhecê-las, e anunciaram que uma instituição de ensino da cidade, o Sistema COC,participará do programa de apadrinhamento das unidades."Será um trabalho voluntário, sem colocar dinheiro, mas os seus profissionais vão capacitar os adolescentes, dando a possibilidade da primeira oportunidade de trabalho no momento em que o jovem sai da Febem", disse Chalita. "Se o jovem não tiver perspectiva de trabalho e vínculo familiar, ele pode voltar para a Febem ou ir para o sistema penitenciário depois."Segundo Chalita, o programa de apadrinhamento, inclusive com as universidades de São Paulo e redes de supermercados e instituições bancárias, começará em fevereiro. "Ninguém está se recusando a participar, pois estamos demonstrando seriedade e transparência", comentou o secretário, lembrando que a idéia é fazer convênios para osprogramas de liberdade assistida de jovens que cometeram pequenas infrações, comofurtos e roubos."Não tem sentido ficarem internados, e, ampliando o programa de liberdade assistida e prestação de serviços à comunidade, podemos mostrar aoMinistério Público e ao Judiciário que podem confiar na proposta", explicou ele. "Éimportante que a consciência de voluntariado fique brotando no universo da Febem.""Com o convênio, estudantes de direito podem prestar uma assistência jurídica aosjovens, pois é natural que muitos adolescentes não entendam por que estão naquelasituação, se dependem de um laudo para serem desinternados, porque isso demora oué mais rápido", disse Costa, destacando a importância do novo método da direção daFebem.Sobre algumas denúncias contra as direções das três unidades de Ribeirão Preto, como entrada de drogas e até uma adolescente que afirmou, a um jornal local, que engravidou numa delas (é proibido relações intímas com os internos), Chalita e Costa demonstraram cautela. "É preciso ser transparente e justo, apurando os casos para asociedade ficar mais tranqüila", informou Chalita."As denúncias dependem de comprovação, de testemunhas; vou agir como um árbitro, com serenidade, não posso tirar conclusões precipitadas." Chalita informou ainda que há necessidade de construir dez novas unidades no interior, com 96 vagas cada, mas que o Estado não consegue o apoio de prefeituras, principalmente próximas de São Paulo, onde ocorre a maioria das internações.Segundo ele, Guarulhos é a que mais interna, mas o poder público não manifesta interesse na construção de uma unidade, assim como Campinas, Osasco e Diadema. Em Santos, uma será construída. "Algumas cidades pequenas do interior se oferecem, mas não há demanda", comentou o secretário.

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