Faixa reduz em 56% mortes no DF

Brasília virou exemplo de combate aos atropelamentos no País ao dar prioridade ao pedestre nos cruzamentos

Luciana Nunes Leal, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2024 | 00h00

Além das ruas sem nome e dos prédios sem número, as pessoas que se mudam para Brasília encontram uma novidade rara nas cidades brasileiras: as faixas de pedestre. Graças a elas, houve redução de 56,7% nos casos de mortes por atropelamento entre 1995 e 2006. Participe de enquete   Para os motoristas recém-chegados, recomenda-se atenção, pois a todo momento haverá alguém esticando o braço, pronto para atravessar. É o "sinal de vida", propagandeado em vários anúncios do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF). A faixa de pedestre é uma experiência bem-sucedida adotada no Distrito Federal em 1997, durante a gestão do hoje senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Na época, causou polêmica e até alguns acidentes, mas, passados dez anos, a faixa faz parte do cotidiano brasiliense. As estatísticas mostram uma redução importante nos casos de morte por atropelamento, de 304 em 1995 para 132 em 2006. Outra queda importante foi a da proporção de pedestres no total de mortos em acidentes de trânsito: eram 46,7% em 1995, índice que caiu para 31,8% em 2006. Ainda que a redução não seja constante e haja grande oscilação: em 1999, 2001 e 2005, ocorreu alta no número de pedestres mortos. O estudante Lucas Valenzuela, de 17 anos, tem o hábito não só de fazer sinal antes de atravessar, como de esticar de novo o braço, para agradecer aos motoristas. "Eles pararam para mim, eu agradeço", disse Lucas, na sexta-feira. Ultrapassar a faixa quando há pedestre atravessando rende ao motorista multa de R$ 117 e perda de 3 pontos na carteira. "Tem gente que não respeita. Mas não costumo multar. Prefiro alertar", disse o soldado José Ferreira, fiscal de trânsito. Pesquisas do Detran mostraram que campanhas educativas são decisivas na redução das mortes. Nos anos em que o número de vítimas aumentou, houve menos campanhas de incentivo ao respeito às faixas. Este ano, o Detran está voltado também para a redução das mortes nas faixas, que vinham aumentando. Em 2005, foram sete mortes e, em 2006, dez - destas, oito foram causadas por condutores de veículos e duas por desatenção do pedestre. Este ano, até junho, o número de casos caiu para dois. Para comemorar a primeira década da inovação, o Detran está recuperando as faixas - são 5 mil -, com novas pinturas, placas e, em alguns lugares, luz piscante. Além disso, as faixas estão sendo elevadas em 4 centímetros. "Trânsito é como jardim, tem que regar sempre. O motorista tende a relaxar quando não encontra campanha e fiscalização", disse o diretor do Detran, Délio Cardoso, que investirá este ano R$ 8 milhões em educação.

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