'Falar em Fernando Henrique Cardoso em São Paulo rende votos'

ENTREVISTA

Christiane Samarco ENVIADA ESPECIAL BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2010 | 00h00

Aloysio Nunes Ferreira, senador eleito pelo PSDB em São Paul

De passagem por Belo Horizonte, onde participou do velório do pai do ex-governador Aécio Neves (PSDB), o senador eleito Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) não quis falar em mudança de rumo da campanha presidencial tucana, mas avisou: "Falar em Fernando Henrique Cardoso em São Paulo rende votos". Além de não ter dúvida de que sua postura crítica e de oposição ao governo Luiz Inácio Lula da Silva foi decisiva para a vitória, Aloysio avalia que a política agressiva do presidente, para eleger para o Senado apenas candidatos da base aliada, produziu efeito contrário. Agora eleito, reiterou que o seu principal papel é ajudar no segundo turno o candidato do PSDB à sucessão presidencial, José Serra.

Sair das urnas com cerca de 11 milhões de votos, quando as pesquisas lhe davam o terceiro lugar, surpreendeu?

Foi uma surpresa relativa. Eu sabia que a minha candidatura estava crescendo, por força de uma campanha em que procurei expor claramente quem eu era, qual era o meu campo político e a coligação em que eu estava inserido, com a força do José Serra (candidato a presidente) e do Geraldo Alckmin (agora eleito governador).

Expor o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na campanha paulista, de forma clara, fazendo a defesa do legado FHC, que Lula chamou de herança maldita, ajudou?

Sem dúvida nenhuma rendeu votos. Fernando Henrique é muito querido e muito respeitado em São Paulo. No início da minha campanha, eu não era muito conhecido. Era importante mostrar aos eleitores quem eu era. E uma parte importante da minha biografia está ligada ao Fernando Henrique, de quem eu fui ministro.

O senhor fez uma campanha de oposição ao presidente Lula em São Paulo. Isso o ajudou?

Fiz uma campanha dizendo o que eu pensava a respeito do que estava acontecendo e da importância institucional do Senado. Eu critiquei o governo federal, especialmente mostrando que o Estado de São Paulo é pouco atendido, é visto com certa displicência pelo governo Lula. Nas áreas de atuação das principais políticas públicas, temos pouca participação federal. A participação do governo federal no orçamento da saúde no Estado vem diminuindo, o que também ocorre nos transportes, especialmente o de massa, na educação e na segurança. Mostrei a importância de termos um senador para lutar pelos interesses de São Paulo.

O senhor abordou na campanha a política de arrastão do presidente Lula para eleger governistas e derrotar os candidatos da oposição ao Senado...

Tenho a certeza de que esse engajamento excessivo do presidente Lula, acima de todos os padrões aceitáveis do ponto de vista republicano, acabou criando um certo abuso, (o que foi repudiado) por parte do eleitor.

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Dizendo o que pensa. Para ele, engajamento excessivo de Lula acabou repudiado pelo eleitor

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