Falha de comunicação causou ataque a helicóptero, admite a PM

Responsável pela vigilância em uma das torres da Penitenciária 2 do Complexo de Hortolândia, um soldado da Polícia Militar cumpriu à risca a norma reforçada por ordem do governador Geraldo Alckmin (PSDB) de atirar contra qualquer helicóptero que se aproximasse demais. Sem saber que se tratava do Águia 4, da própria PM, ele abriu fogo, por volta das 7h50 desta terça-feira, contra um helicóptero que alcançava as dependências do presídio.Atingido no tanque, o aparelho ocupado por quatro policiais teve de fazer um pouso forçado perto do presídio. Ninguém ficou ferido. O soldado temia um resgate aéreo de presos, como o ocorrido no dia 17 de janeiro em Guarulhos. Na época, quatro PMs foram afastados por não impedirem a fuga. O resgate levou Alckmin a lembrar a norma de que policiais devem atirar quando virem a aproximação de helicópteros não-autorizados.O comando da PM em São Paulo reconheceu que houve falha de comunicação no episódio de Hortolândia. Após pouso forçado, a PM chamou os bombeiros para evitar explosões ou incêndios causados pelo vazamento de cerca de 163 quilos de querosene do tanque do helicóptero. Por volta das 9h30, o Águia 4 conseguiu decolar e voltar ao Grupamento Aéreo da PM.O helicóptero foi a Hortolândia para escoltar 160 presos que seriam transferidos do complexo penitenciário para cadeias em Dracena e Pracinha. A falha de comunicação pode ter ocorrido, conforme a PM, porque a operação era sigilosa. Segundo a major Maria Aparecida de Carvalho Yamamoto, do setor de Comunicação Social do Comando Estadual da PM, em São Paulo, foi instaurado inquérito administrativo para apurar a falha.O comando da PM em Campinas divulgou nota oficial sobre o assunto, assinada pela oficial de Comunicação do Comando de Policiamento do Interior 2 (CPI 2) tenente Eliana Guerra, dizendo que o helicóptero foi alvejado por vários tiros de fuzil. "Ao observar o aparelho se preparando para pousar dentro da área do Complexo Penitenciário e, em face de circunstâncias que serão apuradas, um dos policiais militares de serviço no local efetuou disparos em sua direção, tendo causado danos materiais de pequena monta", resume a nota. O comando local não forneceu mais informações sobre o caso.Desde o início da desativação do Carandiru, em São Paulo, pelo menos 600 presos foram trazidos para o Complexo de Hortolândia. Número semelhante de detentos foi levado de Hortolândia para cadeias de outras cidades do Estado. Agentes penitenciários lamentam as transferências, alegando que elas interferem na segurança, com tentativas de fuga e até mortes, como a ocorrida nesta segunda-feira, quando o detento José Roberto da Silva foi morto com 70 golpes de estilete.O Complexo de Hortolândia e a Cadeia de São Bernardo, em Campinas, abrigam cerca de 5 mil presos. Segundo a Coordenadoria dos Estabelecimentos Penais do Estado (Coespe), a intranqüilidade por conta das transferências era prevista, embora fugas e crimes devam ser coibidos.

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