Falha de comunicação quase coloca PM na mira de atirador

Por pouco policial militar não se tornou alvo de atirador do Grupo Especial de Resgate, da Polícia Civil, na abertura da Copa

Rafael Italiani e Marcelo Godoy, O Estado de S. Paulo

27 de junho de 2014 | 22h33

SÃO PAULO - Uma falha de comunicação entre as elites das polícias de São Paulo, na abertura da Copa do Mundo, na Arena Corinthians, colocou em risco um policial do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais), da PM. Ele quase se tornou alvo de um atirador do Grupo Especial de Resgate (GER), da Polícia Civil.

Segundo o Estado apurou, durante a partida entre Brasil e Croácia, o policial civil pediu informações sobre a presença do PM em uma área restrita próximo aos chefes de Estado que assistiam à partida entre Brasil e Croácia. Como não obteve resposta, perguntou por rádio se podia "neutralizar o alvo". Pouco depois, o atirador recebeu a confirmação de que se tratava de um PM. 

Na versão da Polícia Militar, que não foi confirmada oficialmente pela corporação, o Gate foi chamado até o local para investigar uma suspeita de bomba. Ao chegar ao local, os policiais constataram que se tratava de uma bolsa com roupas de um voluntário da Fifa. 

De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), houve "erro de comunicação" e o problema foi "rapidamente sanado". A pasta disse que não houve risco e que o protocolo do atirador de pedir as autorizações de carregar a arma, colocar o alvo na mira e atirar "sequer" foi colocado em prática pelo GER.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, minimizou o erro. "Não podemos dar a um fato a dimensão que ele não tem. Segundo ele, o problema foi resolvido "dentro do protocolo" e que a informação não chegou ao centro de comando de controle, de onde o ministro, acompanhado do secretário estadual de Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, acompanhava o jogo.

Segundo a SSP, a utilização de agentes do GER foi "uma decisão do Exército pactuada com as demais forças que fazem a segurança na Copa do Mundo".

Especialista ouvidos pelo Estado disseram que a falha poderia ter levado a uma tragédia. "É uma demonstração de falta de controle. A integração entre as polícias é apenas discurso". disse Diógenes Lucca, ex-comandante do Gate. 

Segundo ele, caso o GER tivesse disparado, poderia haver "um tumulto generalizado" dentro da arena. "O fato do policial ter perguntado se poderia neutralizar o alvo, por si só já seria uma tragédia", disse o especialista em segurança pública. 

Para Paulo Storani, ex-subcomandante do Bope do Rio, o erro demonstra “instabilidade” entre as polícias. “A central de monitoramento tem de saber de todos os detalhes para informar aos policiais”, afirmou. 

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