Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Falha de drenagem causou rompimento de Fundão, diz laudo de empresa contratada por Vale e BHP

Resultado é o mesmo apontado por investigações da Polícia Federal; investigação não indicou culpados e não abordou questões referentes à legislação

Leonardo Augusto, Especial para O Estado

29 de agosto de 2016 | 18h06
Atualizado 05 de novembro de 2020 | 18h35

BELO HORIZONTE - O rompimento da barragem da Samarco em Mariana, em 5 de novembro, foi provocado por falhas de drenagem e pela obra de recuo da face da represa feita pela mineradora, conforme consta em relatório independente apresentado nesta segunda-feira, 29, por uma empresa contratada pela Vale e pela BHP Billiton, controladoras da mineradora, para apurar a queda da estrutura. 

O resultado é o mesmo apontado por investigações da Polícia Federal, que decidiu neste ano pelo indiciamento de integrantes da Samarco, incluindo o diretor-presidente, o diretor-geral, três gerentes e um coordenador técnico. Por outro lado, a investigação apresentada nesta segunda apontou sismos ocorridos na região de Mariana na data da tragédia como fator que pode ter contribuído para o colapso da represa. Essa possibilidade foi completamente descartada pela PF.

A lama que vazou da represa no ano passado destruiu o distrito de Bento Rodrigues, matou 18 pessoas e deixou uma desaparecida. Os rejeitos poluíram o Rio Doce e parte do litoral norte do Espírito Santo, onde está a foz do curso d’água. 

A investigação contratada pelas empresas não apontou culpados e não abordou questões referentes à legislação ambiental no que se refere à tragédia. Na apresentação do relatório, em Belo Horizonte, não foram permitidos questionamentos de jornalistas nesse sentido. 

A empresa contratada para fazer a investigação foi a Cleary Gottlieb Steen & Hamilton, com sede nos Estados Unidos, que recorreu a um grupo de especialistas em geotecnia liderados por Norbert Morgenstern, professor emérito de Engenharia Civil da Universidade de Alberta, no Canadá.

Conforme o relatório, os problemas na barragem de Fundão tiveram início em 2009. A represa começou a ser edificada em 2008. “Por causa de defeitos de construção no dreno de fundo, a barragem foi tão danificada que o conceito original não poderia mais ser implementado”, diz. 

Segundo Norbert Morgenstern, as investigações não apontaram se o problema foi do projeto ou da construção de Fundão. Quanto ao recuo, feito à ombreira esquerda da barragem, o relatório diz que no local em que a obra foi feita havia concentração, na parte inferior da estrutura, de lama e areia, contribuindo para a instabilidade da barragem. Assim como a PF, a empresa contratada pelas mineradoras também constatou que a ruptura da represa começou a partir de sua ombreira esquerda. 

Desculpas. Depois da apresentação do relatório, o presidente da Vale, Murilo Ferreira, afirmou que o trabalho foi desenvolvido “em benefício da transparência”. “É o primeiro passo para fazer uma indústria da mineração mais segura”, disse. O atual presidente da Samarco, Roberto Carvalho, pediu desculpas às famílias dos atingidos pela tragédia. “Lamentamos profundamente ter causado essas mortes”, afirmou.

 

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