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Falha em subestação de energia deixa 2,7 milhões sem luz em SP

Pane durou quase 1 hora e afetou 21 bairros da cidade; diretor de empresa afirma que rede opera no limite

Eduardo Reina e Vitor Hugo Brandalise, O Estadao de S.Paulo

05 de março de 2008 | 00h00

Uma falha na Subestação Bandeirantes da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep) deixou sem luz 2,7 milhões de pessoas em 690 mil residências e estabelecimentos comerciais de 21 bairros da capital e de parte dos municípios de Taboão da Serra e Embu na manhã de ontem. A interrupção durou das 8h45 às 9h37. A queda de energia foi provocada por uma descarga elétrica interna que desligou um disjuntor de alta tensão de um dos transformadores da subestação, localizada na zona sul.Moradores vizinhos à subestação disseram que houve uma forte explosão por volta das 8h45. Para a empresa, a explosão não passou de um "barulho". A falha foi pontual no equipamento da Subestação Bandeirantes, mas o sistema de transmissão de energia elétrica em São Paulo operado pela Cteep está no limite, segundo o diretor de Operações da empresa, Celso Cerchiari.Ele afirmou que as subestações paulistas da empresa não irão resistir a novos incidentes. Cerchiari disse que a capacidade de energia do Estado também está no limite e que não há condições de a empresa fazer manobras para distribuir energia elétrica quando há problemas em subestações.A empresa transmite a energia elétrica à Eletropaulo, que a distribui aos consumidores. São 102 estações em todo o Estado - 23 só na região metropolitana -, que unem 12,1 mil quilômetros de linhas de transmissão. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) notificou a Cteep após o incidente. A empresa tem 48 horas para entregar um relatório detalhado sobre o problema. A Cteep investiga as causas da ocorrência de ontem. A Eletropaulo informou que a concessionária restabeleceu o fornecimento ao redirecionar a energia de outra área que não fora afetada. O governador José Serra disse que a secretária de Estado de Saneamento e Energia, Dilma Pena, está acompanhando o assunto e irá fazer um relatório sobre a pane. "Isso durou quase uma hora e causou engarrafamentos. Acompanhamos isso com preocupação e vamos cobrar uma explicação muito convincente a esse respeito." Segundo a Eletropaulo, durante a hora do "apagão" foram recebidas 7 mil ligações de usuários por meio do telefone para emergências - em média, são 5 mil ligações diárias.Toda a cidade sofreu as conseqüências da pane. O índice de congestionamento bateu novo recorde (leia na página C3). No Aeroporto de Congonhas, o apagão provocou o fechamento do check-in por 15 minutos. Os vôos não foram afetados.Quem trabalha na Avenida Luís Carlos Berrini, na zona sul, uma das mais movimentadas de São Paulo, sofreu com trânsito. "Tudo o que vi foi a confusão que ficou essa avenida logo de manhã, quando estava todo mundo indo para o trabalho", disse a secretária Célia Passos, que trabalha na Rua Padre Antônio José dos Santos. Quem toma o café da manhã nas lanchonetes da região teve dificuldades até para consumir um suco de laranja. "Não temos vitaminas nem sucos, pois o liquidificador não funciona", avisava Carmindo Gomes, proprietário de uma padaria na Berrini. "Hoje, foi dia de coador", comentava Roberto Alves, atendente de uma lanchonete da Berrini, que não pôde servir café expresso por 40 minutos. "Os clientes faziam cara feia, mas, no final, entenderam." José Tributário, caixa de um posto de gasolina, disse que deixou de atender cerca de 40 carros enquanto durou a falta de luz - um prejuízo de R$ 4 mil. "Quando acaba a luz, o posto pára."PROBLEMA ANTIGOEm 3 de abril de 2007, 30% da população de São Paulo ficou sem luz após um ciclone ter atingido a região do Aeroporto de Congonhas e prejudicado a distribuição da energia elétrica em bairros da zona sul. A falta de luz afetou hospitais e deixou o trânsito da cidade caótico. Em 4 de janeiro passado, 20 mil casas e pontos comerciais nas regiões da Avenida Paulista, Higienópolis e Santa Cecília ficaram sem luz por duas horas.

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