Falha humana provocou caos aéreo no domingo, diz Zuanazzi

O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, afirmou nesta sexta-feira, 23, que não acredita em sabotagem como causa dos problemas ocorridos no domingo, 18, em aeroportos brasileiros. "Continuo não acreditando nisso. Seria tão deprimente se isso fosse verdade, seria um desrespeito à nação, ao País", declarou ele. "Até agora, todas as investigações feitas não mostraram indícios (de sabotagem). Mostraram, sim, erros, falhas humanas. Mas não mostraram sabotagem. Não foi algo deliberado", disse.Milton Zuanazzi falou ainda, após cerimônia de posse de ministros no Planalto, do grupo de acompanhamento da crise que foi criado na quinta pelo ministro da Defesa, Waldir Pires, e que vai se reunir todas as semanas, acompanhando passo a passo os problemas do setor e tentando apresentar as soluções de forma imediata. "O ministro pediu a todos que levássemos, dentro dos problemas que a gente tem, as soluções que achamos que são fundamentais a curto, médio e longo prazo", contou Zuanazzi. Segundo ele, os dois pontos considerados mais problemáticos no momento são a saturação do Aeroporto de Congonhas e os problemas de infra-estrutra no controle do tráfego aéreo."O primeiro problema é no sistema aeroportuário de São Paulo, que se esgotou, porque não foi atualizado ao longo de décadas, não seguiu um planejamento de ação, tornando Congonhas o grande aeroporto do Brasil com limitações de pista quando há chuva. E este é um ponto para o qual não temos uma solução de curtíssimo prazo", disse Zuanazzi. No momento, segundo ele, o melhor que se tem a fazer, no momento, no momento, é a obra na pista, que vai diminuir a intensidade do fechamento. "Com a nova pista, já haverá diminuição do transtorno. Mas, as verdadeiras obras de São Paulo significam terceiro terminal em Guarulhos, terceira pista em Guarulhos, um terminal para a aviação geral e a definição de uma política para Viracopos, com ampliação", disse Zuanazzi.Falta de controladoresAcrescentou que uma segunda linha de problemas, que é a falta de funcionários no controle do tráfego aéreo. "Quando esses fatores se conjugam, o efeito é mais problemático. Quando eles ocorrem individualmente, você consegue resolver o problema no mesmo dia, às vezes em questão de horas. Mas, quando se conjugam as duas coisas, como foi o caso de domingo, temos problemas graves", admitiu. "Com infra-estrutura no limite, com falta de controladores, você tem um efeito exponencial. No domingo, foram os equipamentos, não foram controladores, mas tem sempre problema vinculado ao controle", disse ele, que não quis atribuir as consecutivas panes à gestão da Aeronáutica. " O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) sempre trabalhou com planejamento, e o acidente revelou que não tinha número suficiente de pessoas, porque a evasão é muito grande", disse o presidente da Anac.Semana SantaO presidente da Anac, Milton Zuanazzi, disse ainda que espera tranqüilidade nos aeroportos nos feriados da Semana Santa, mas fez a ressalva de que isto, naturalmente, está condicionado ao fato de não se repetirem os "problemas históricos" que têm atrapalhado operações nos aeroportos, como chuvas em São Paulo, ou problema no controle do espaço aéreo."Nós da Anac montamos a mesma linha de conduta do ano-novo e do carnaval, com as empresas. Pedimos todo o planejamento das companhias aéreas, para saber como estão seus sistemas de reserva. E tudo o que verificamos nos leva a crer que teremos um feriado tranqüilo, se esses problemas que já são históricos não ocorrerem, como chuvas em São Paulo, ou problema no controle do espaço aéreo", declarou Zuanazzi.O presidente da Anac acrescentou que, "do ponto de vista das empresas", não haverá excesso de passageiros. "Estamos, digamos, tranqüilos em relação ao feriado", afirmou.

Agencia Estado,

23 de março de 2007 | 16h04

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.