Falsa bomba fecha acesso de estação de metrô na Paulista

Prédio do Banco do Brasil onde funciona o gabinete de Lula em SP teve de ser evacuado; pacote era ?oferenda?

Vitor Hugo Brandalise, O Estadao de S.Paulo

19 Agosto 2009 | 00h00

Uma suspeita de bomba provocou a evacuação do edifício do Banco do Brasil na Avenida Paulista - complexo de 19 andares, com agência e escritórios do banco, e onde funciona o gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Paulo -, deixando o prédio, a calçada, uma faixa da avenida e um dos acessos à Estação Consolação do metrô isolados por quase duas horas, entre 10h15 e 11h55 de ontem. Após averiguação do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da Polícia Militar, os policiais concluíram que não havia perigo - dentro do pacote suspeito, deixado na calçada, havia um pote de três litros com molho de pimenta, classificado pela polícia como "oferenda utilizada em cultos religiosos". A suspeita mobilizou duas viaturas do Gate, cinco da PM e três carros do Corpo de Bombeiros. Cerca de 600 funcionários do banco tiveram de deixar o edifício. "Não houve correria, mas o pessoal estava apreensivo, muitos foram para longe do prédio, caso algo acontecesse", disse Regina Nazaré, funcionária do banco. O pacote suspeito - uma sacola branca, semelhante à utilizada em "loja de sapatos", onde estava o pote, embrulhado em papel colorido - foi avistado por policiais por volta das 7h30. "Avistei o pacote, pensei na importância do prédio e me preocupei. Avisei meu superior", disse o soldado Cleiton de Jesus. "Terminou com o Gate aqui." Apesar do fechamento de um dos acessos da Estação Consolação, a circulação de trens não foi afetada. Para verificar explosivos, o Gate usou braço mecânico e aparelho de raio X. LABRADOR Uma consequência inusitada da suspeita de bomba envolveu um morador de rua, seu cachorro e um cabo da PM. Enquanto a calçada do lado ímpar da Paulista estava isolada pelo Gate, a PM ocupava o lado par - foi quando o cabo Isaías Crisanto tentou retirar da calçada os pertences do morador de rua Milton Ferreira, figura conhecida no local. "Ele (Milton) não queria deixar a polícia levar, então tentaram tirar a força. Enquanto ele gritava, o cachorro latia", contou Marta Fungaro, que trabalha nos arredores. "Quando o policial encostou nele, o cão avançou." Como resultado, uma mordida na nádega esquerda do policial, que deixou um furo na calça. O morador de rua levado à delegacia por desacato e Hans, o labrador, encaminhado a uma ONG. "Queriam levar para a Central de Zoonoses, aí o Milton nunca mais o veria. Pegamos o cachorro rapidinho", disse a vice-presidente da ONG Rádio Mundial, Miriam Morato, que conhece Ferreira. "Ele não vive sem o cachorro." Para Crisanto, a revolta deve vir "por se preocuparem mais com o cão do que com minha saúde". Por volta das 17h30, Ferreira, que estava detido no 78º Distrito Policial, foi liberado. Segundo a ONG que cuidou de Hans, o cão o aguardava de "banho tomado e barriga cheia". "Foi um mal-entendido, pelos transtornos da manhã", concluiu o delegado, Rodrigo Fiacadori. Em depoimento, Ferreira afirmou que estava "assustado" e que pensou em "salvar seus pertences e seu cão".

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