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Falsa enfermeira tinha esquema de vacinação por delivery em BH desde o início do mês, aponta PF

De acordo com as investigações,  um dos bairros em que ela mais fez 'atendimentos' – em casas e apartamentos – foi o Belvedere, de classe alta

Leonardo Augusto, Especial para o Estadão

01 de abril de 2021 | 17h59

BELO HORIZONTE – A falsa enfermeira presa pela Polícia Federal por realizar suposta vacinação contra covid-19 em garagem de empresa de ônibus em  Belo Horizonte já atuava com o esquema na cidade desde o início de março, conforme investigações da Polícia Federal. A mulher, que foi levada para a Penitenciária Estevão Pinto na noite de terça-feira, 30, teve a prisão temporária convertida em preventiva. Laudo da polícia ainda apontou que o material apreendido na casa da falsa enfermeira era soro fisiológico, o que indica que ela aplicava falsas doses do imunizante. 

As autoridades constataram que a mulher, que na verdade era uma cuidadora de idosos, atendia também a domicílio. De acordo com as investigações,  um dos bairros em que ela mais fez "atendimentos" – em casas e apartamentos – foi o Belvedere, de classe alta. "Os moradores lá estão todos sem saber o que fazer", afirma um empresário que frequenta a região.

Diligências feitas pela Polícia Federal encontraram na casa dela ampolas de soro fisiológico. A suspeita é que era isso que vinha sendo aplicado nas pessoas que contratavam seus serviços.

Conforme a Polícia Federal, a falsa enfermeira, com os recursos que ganhava com a aplicação da "vacina", estava comprando carro e um sítio. Segundo a revista piauí, que denunciou a ocorrência de uma vacinação irregular contra a covid-19 na garagem de ônibus em reportagem publicada no dia 24, a falsa enfermeira cobrava R$ 600 por duas doses do que afirmava ser vacina.

Vídeos aos quais o Estadão teve acesso mostram uma mulher de jaleco branco em meio a carros em uma garagem no bairro Caiçara, região noroeste de Belo Horizonte. Segundo as apurações da PF, a suposta vacinação, no local, ocorreu nos dias 22 e 23. Pelo menos 80 pessoas passaram pelo local naquelas duas noites. 

A garagem  é de uma empresa que pertence ao grupo Saritur, conforme informações de um funcionário repassadas à reportagem no local. No início desta semana, os empresários Rômulo Lessa e Robson Lessa, da Saritur, prestaram depoimento à PF e afirmaram ter comprado o que acreditavam ser imunizantes de forma irregular.

Legislação aprovada pelo Congresso Nacional autoriza a importação de vacinas, desde que sejam repassadam ao Sistema Único de Saúde ao longo do período em que são imunizados grupos prioritários, como idosos e agentes de saúde.

A PF, inicialmente, trabalhava com três linhas de atuação. Desvio de vacina do SUS, contrabando do imunizante ou golpe. Na segunda-feira, 5, o filho da falsa enfermeira prestará depoimento à Polícia Federal. A suspeita da PF é que ele seja o responsável pelo recebimento dos pagamentos, que ocorriam, muitas vezes, via PIX, o que vai facilitar as investigações das autoridades.

Além da compra de imóvel e veículo, outro indício de que a falsa enfermeira vinha aplicando o golpe de forma mais ampla pela cidade é que, antes de comparecer na terça-feira à garagem da empresa no bairro Caiçara, já havia passado em outros dois locais. A reportagem tenta desde a semana passada, sem sucesso, contato com a Saritur, via telefone fornecido por funcionário do próprio grupo.

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