Falsos taxistas agem em Congonhas

Motoristas abordam passageiros, escolhem corridas mais longas e cobram mais do que veículos cadastrados

Naiana Oscar, Jornal da Tarde, O Estadao de S.Paulo

14 de abril de 2008 | 00h00

Com uma movimentação diária de 30 mil passageiros, o Aeroporto de Congonhas, um dos pontos de táxi mais disputados de São Paulo, tem atraído motoristas ilegais, que apresentam-se como taxistas e fazem corridas em veículos particulares. Segundo a coordenação dos táxis credenciados do aeroporto, cerca de 70 carros estacionados no edifício-garagem e nas ruas próximas são usados para esse tipo de serviço. Na semana passada, a reportagem acompanhou a ação dos motoristas ilegais em dois dias. Eles costumam ficar perto da área de desembarque e abordam os passageiros discretamente. "Precisa de táxi, senhora?" Se a resposta for sim, a pergunta seguinte, invariavelmente, é: "Para onde?" Os falsos taxistas costumam escolher as corridas e só aceitam destinos mais distantes. Na quinta-feira passada, a reportagem abordou um deles, dizendo que iria até o Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos. "Os táxis credenciados cobram R$ 165 por essa viagem. Como sou alternativo, posso fazer mais barato", disse, inflacionando o valor da corrida. No balcão do táxi comum, o passageiro paga antecipadamente R$ 93 para o mesmo trajeto. No táxi especial vermelho e branco, sai por R$ 105. Se a proposta convencer, o cliente é levado até o carro. Nesse caso, o veículo (uma Meriva branca de placa cinza e sem taxímetro) estava no edifício-garagem do aeroporto. A repórter, ao se deparar com um carro particular, recusou-se a fazer a corrida. O motorista insistiu, dizendo ser honesto e conhecido em Congonhas. Mostrou certificado de condutor de táxi e disse que por um problema burocrático a placa do carro ainda não era vermelha. Mostrou fotos da família e da filha de 2 anos. "Há três anos sustento minha casa com o trabalho sério que faço aqui", disse. E finalizou: "Se precisar de referência minha, é só ir na delegacia do aeroporto e conversar com o pessoal".O delegado Paulo Kock, titular em Congonhas há um mês, disse, primeiro, não ter "notícia desse tipo de coisa". Depois, voltou atrás: "A gente sabe que ocorre, mas não pode fazer nada." Segundo ele, o uso de carros particulares em serviços de táxi não é problema de polícia, mas irregularidade de trânsito, que deve ser solucionada pela Prefeitura. "Aliciar passageiro e levar num veículo próprio não é crime. Se o passageiro se sentir lesado, aí, sim, podemos intervir."Presidente da Comissão de Trânsito da OAB-SP, o advogado Cyro Vidal critica a atitude da Polícia Civil. "Os policiais do aeroporto podem recolher o veículo e comunicar o Detran." Para ele, o que os falsos motoristas fazem se aproxima de estelionato. O presidente do Sindicato dos Taxistas Autônomos de São Paulo, Natalício Bezerra, classifica a atuação desses motoristas como um problema de segurança pública.

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