Falta água e cresce risco de incêndios em São Paulo

O inverno sem chuvas e de altas temperaturas já compromete o abastecimento no interior de São Paulo. Algumas cidades estão adotando o racionamento. Nas regiões norte e noroeste, não chove há mais de 60 dias. O clima seco favorece também a ocorrência de incêndios. Nesta terça, 25, em Ribeirão Preto, o índice de umidade relativa do ar era de 13%, o mais baixo do ano. Com o céu sem nuvens e sol forte, a temperatura atingia 31 graus. Em Rio das Pedras, a 190 km de São Paulo, os 30 mil moradores convivem com a falta de água há duas semanas.O abastecimento é interrompido às 13 horas e retomado às 17 horas. Segundo a prefeitura, a medida é preventiva, para evitar um racionamento mais drástico nos próximos meses. O Tancão da Usina, represa que abastece a cidade opera com 60% da capacidade, mas o consumo aumentou muito. Em Saltinho, a 170 km da capital, a prefeitura decidiu multar em R$ 25,00 o morador que for apanhado lavando carro ou calçada. Na reincidência, a multa dobra. No ano passado, o sistema de abastecimento foi reforçado com 170 mil litros de água bruta, mas os 6.700 moradores reclamam da falta do líquido nas torneiras. A prefeitura vai adotar o rodízio, se não chover na próxima semana. O Serviço Autônomo de Água e Esgotos (Saae) de Itu, a 98 km de São Paulo, passou a medir semanalmente o nível das cinco represas que abastecem os 150 mil moradores. A última chuva, no dia 10 deste mês, rendeu cerca de 50 milímetros e recuperou os reservatórios, mas o consumo está elevado. "Estamos iniciando campanhas nas rádios, escolas e na internet, pedindo economia", disse o diretor técnico, José Carlos Rodrigues. "Se a estiagem se prolongar, podemos ter problemas." O abastecimento na Grande São Paulo ainda não corre risco, segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). O sistema Cantareira operava com 59,1% da capacidade, mas as outras represas estavam com nível satisfatório, como a de Guarapiranga, com 72,7%, Alto Tietê 9,8%, Rio Claro 90,8 e Cotia 98,2%. Incêndios O serviço de monitoramento das queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrou 25 focos de incêndios hoje no Estado, número recorde este ano. Em todo o País, havia 378 focos, mais da metade nos Estados de Mato Grosso (190) e Pará (92). São Paulo estava à frente de Mato Grosso do Sul (22), Goiás (12), Minas Gerais (8) e Amazonas (7). Os satélites do Inpe captaram 3 focos em Tocantins, 2 em Rondônia e 1 no Rio de Janeiro. Em São Paulo, a maioria dos focos estava concentrada na zona canavieira, do centro para o norte do Estado. Segundo o órgão, a falta de nuvens no céu favorece a evaporação e agrava a estiagem. Um dos incêndios atingiu o Parque Estadual do Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio, no Pontal do Paranapanema, mas as chamas foram controladas. O fogo também se propagou no Parque Municipal do Morro do Ouro e no Morro das Sete Escadas, em Apiaí, sudoeste paulista. Em Sorocaba, a 92 km de São Paulo, a prefeitura criou uma "patrulha verde" para combater as queimadas. Também foi detectado um incêndio nesta tarde, no bairro do Jabaquara, na zona sul de São Paulo. O fogo começou por volta das 15 horas, em uma propriedade do governo do Estado, perto da Secretaria de Estado da Agricultura. Pelo menos 50 bombeiros foram enviados, por terra, para chegar ao foco do incêndio.Em dois postos de observação, guardas municipais e estagiários da Pontifícia Universidade Católica (PUC) usam binóculos de longo alcance para detectar os focos e avisar os bombeiros. Os patrulheiros percorrem a cidade e também ajudam a combater incêndios. Foi estipulada uma multa de R$ 3,00 por metro quadrado para quem for flagrado ateando fogo em mato.

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