Falta de cinto rende 1 multa a cada 2 minutos

Suspeita é que o cantor Cristiano Araújoestivesse sem o equipamento em acidente

MARCO ANTÔNIO CARVALHO, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2015 | 02h04

A Polícia Rodoviária Federal aplicou 152,5 mil multas a motoristas e passageiros que não respeitaram a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança tanto no banco dianteiro quanto no banco traseiro de veículos neste ano. A quantidade de autuações faz referência aos seis primeiros meses de 2015 e equivale a uma multa a cada dois minutos nas rodovias federais que cortam o País.

Na semana passada, o cantor sertanejo Cristiano Araújo morreu em um acidente de trânsito na Rodovia BR-153, em Goiás, e a polícia investiga a suspeita de que o artista e sua namorada, Allana Coelho, de 19 anos, não usavam cinto de segurança. Eles estavam no banco de trás no momento do acidente. A falta do equipamento teria potencializado os ferimentos que levaram à morte do casal.

Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada no início deste mês, mostrou que 20% da população não usa cinto de segurança no banco da frente. A situação é ainda mais grave nos bancos traseiros: metade dos entrevistados admitiu que não usa o equipamento obrigatório.

Para o coordenador técnico do Centro de Experimentação e Segurança Viária (Cesvi), Alessandro Rubio, a falta de costume em usar o cinto, em especial nos bancos traseiros, pode ser explicada pela falsa sensação de segurança dos passageiros. "O brasileiro pensa que está protegido pelo banco dianteiro. Temos de passar a ter consciência de que o cinto é uma ferramenta fundamental de segurança, independentemente do local do veículo em que você esteja. Temos de usar sempre." A falta de utilização do cinto nos bancos traseiros pode representar risco até mesmo para quem está dirigindo. "Acredito que o passageiro que não usa o cinto faz isso por falta de informação. Ele acaba não tendo noção do risco que está correndo e do risco a que expõe os demais ocupantes", acrescentou.

A PRF não distingue quantas infrações ocorreram no banco traseiro ou no dianteiro, mas revela que é bastante usual ambas as modalidades desse tipo de ocorrência. Em 2013, foram flagrados 248.039 casos e, no ano seguinte, 231.522. A infração é considerada grave no Código de Trânsito Brasileiro e é punida com multa de R$ 127,69 e registro de cinco pontos na carteira de habilitação. Os números no Brasil, porém, são bem maiores, já que os dados da PRF fazem referência apenas a vias federais.

O Departamento Estadual de Trânsito (Detran) de São Paulo, que fiscaliza as vias estaduais, informou ter aplicado, no ano passado, 149.113 multas por falta do uso de cinto, tanto por condutores quanto por passageiros. O número foi 1% menor em relação a 2013, quando 150.622 autuações foram aplicadas pela mesma infração no Estado. O Detran-SP acrescentou que não tem dados parciais sobre as multas neste ano.

Educação. Para o diretor-presidente do Observatório Nacional de Segurança Viária, José Aurélio Ramalho, a mudança no costume tem de ser estimulada desde a escola e também na formação de novos motoristas. "Na autoescola se aprende que, se você não usar o cinto, será multado. Isso é uma forma errada de ensinar. Se você não usar o cinto, estará desprotegido e, por isso, é fundamental utilizá-lo", disse.

Ele exemplifica que uma pessoa de 60 quilos sendo transportada a 60 km/h no banco traseiro, em caso de parada brusca, transforma-se em um peso de cerca de uma tonelada e meia que pode atingir os demais ocupantes. Ramalho propõe uma reflexão sobre a importância do tema. "Sempre pedimos ferramentas de segurança mais modernas nos automóveis, e a indústria tem nos entregado isso ultimamente. E por que não usamos o cinto?."

 

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