Falta de aterro sanitário agrava problema do lixo

A principal preocupação com relação ao sistema de coleta de lixo de São Paulo é a destinação. Os dois aterros sanitários da capital - Bandeirantes, na zona norte, e São João, na leste - estão com capacidade próxima do esgotamento. Para dificultar a situação, poucas áreas da cidade são viáveis para a construção de aterros. Por isso, não está descartada a possibilidade de locais fora dos limites da capital.Por enquanto, a Secretaria de Serviços e Obras (SSO) e o Departamento de Limpeza Urbana (Limpurb) estudam lugares dentro do Município. Entretanto, as zonas sul e norte têm limitações, por causa dos mananciais, e a oeste é a menor em extensão territorial."Vamos verificar a possibilidade de aumentar o São João. Se houver necessidade, pode haver (aterros) fora de São Paulo, mas não há nada em estudo", explica o secretário Osvaldo Misso. Definições mais precisas podem constar do edital de concessão do novo sistema de coleta, com lançamento previsto para abril.Não é à-toa que a Prefeitura faz certo mistério em relação a possíveis áreas de aterros. No passado, muitos locais cogitados para a mesma função foram alvo de especulação imobiliária, o que pode até tornar a operação inviável. Há casos no litoral norte onde áreas previstas para a instalação de aterros estão hoje ocupadas e dificilmente se conseguirá retomar o plano original.As restrições ambientais são um dos principais obstáculos para criar áreas de despejo. "Não só a capital como toda a região metropolitana tem problemas físicos", observa João Fuzaro, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente.Da área da Grande São Paulo, 54% são de mananciais ou terrenos de preservação. O economista Sabetai Calderoni lembra que qualquer investimento fora do Município deve levar em conta a distância e o custo com o transporte dos resíduos. "De cada R$ 7,00 gastos com lixo, R$ 5,00 são com transporte."Hoje, a administração gasta R$ 17,00 por tonelada de lixo aterrada. Segundo o geólogo Ângelo José Consoni, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), a futura concessão dos serviços precisa prever mecanismos que não aumentem esse custo. "Se tiver de pagar o preço de mercado, o custo pode chegar a R$ 50,00 por tonelada."Na avaliação de Consoni, procurar locais fora da capital pode ser uma saída para o futuro. "O Rio faz isso num local em Niterói. Tudo depende de estudo e viabilidade econômica."Outro problema é a falta de planejamento e de maior integração da região metropolitana na questão do lixo. A Cetesb fez estudos para outras áreas conurbadas, como a Baixada Santista e o litoral norte, mas não há um plano pronto para a Grande São Paulo. "Apesar de 80% do lixo da região estar recebendo tratamento controlado ou adequado, 16 municípios ainda apresentam condições inadequadas", diz Fernando Antonio Wolmer, do setor de Resíduos Sólidos Domésticos da Cetesb.

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