Falta de dados sobre subsolo pode provocar mais acidentes

Pelos próximos 15 meses - duração das obras de ampliação da Marginal do Tietê -, a cidade estará sujeita a enfrentar incidentes como o de anteontem, quando uma escavadeira rompeu uma tubulação de gás da Comgás. Segundo a Empresa de Desenvolvimento Rodoviário (Dersa), responsável pela expansão, o mapeamento do subsolo da Marginal foi feito, em parceria com a concessionária, três meses antes do início das obras. Mas nenhuma das duas conseguiu identificar no papel a presença de um tubo construído 25 anos atrás. O acidente, que ocorreu no início da tarde, além de provocar congestionamento em quase toda extensão da Tietê no sentido Castelo Branco, deixou 3.800 residências da região de Pirituba, zona norte, sem gás de rua até a meia-noite de anteontem. A Dersa explicou que toda a tubulação de gás na área das obras foi demarcada com faixas de proteção na extensão dos canos. Mas o cadastro prévio não foi suficiente para identificar a instalação antiga. A Comgás informou que vai investigar por que o cadastro de subsolo, entregue à Dersa, estava desatualizado. A falta de informação sobre o que há no subsolo do canteiro central da Marginal do Tietê é reflexo do que ocorre em toda a cidade. Desde 1999, a Prefeitura tenta mapear o subsolo, para evitar acidentes como esse. A estimativa é de que existam cerca de 130 mil km de fios e tubulações no subterrâneo. Essa extensão é quase oito vezes maior do que os 17 mil km de ruas do emaranhado mapa da cidade. Segundo técnicos do Departamento de Controle de Uso de Vias Públicas (Convias), órgão responsável por centralizar as informações das concessionárias e elaborar o mapa, esse banco de dados deixou de ser uma prioridade "por ser uma coisa muito difícil de acontecer". O chefe do Departamento de Geofísica do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), da Universidade de São Paulo (USP), professor Jorge Porsani, explica que o método mais indicado para realizar esse mapeamento é o Ground Penetrating Radar (GPR), ou radar de penetração de solo, que consiste na transmissão e reflexão de ondas eletromagnéticas. "É similar a uma ultrassonografia", explica Porsani, que já realizou esse trabalho para as obras da Linha 4-Amarela do Metrô e na Cidade Universitária. A Dersa, responsável pelas obras de ampliação da Marginal do Tietê, garantiu que o vazamento de gás não colocou em risco a população. Segundo o engenheiro da Emurb, José Luiz de Godoy e Vasconcellos, mesmo sem o mapa do subsolo atualizado o incidente poderia ter sido evitado com a realização de testes e escavação manual. A terceira pista da Marginal cobrirá toda a extensão da via, de 24,5 km, nos dois sentidos. A obra está prevista para ser entregue em outubro de 2010.

Marcela Spinosa e Naiana Oscar, JORNAL DA TARDE, O Estadao de S.Paulo

01 Julho 2009 | 00h00

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