Falta de detalhes desagrada ao mercado imobiliário

Falta de detalhes desagrada ao mercado imobiliário

Anúncio da segunda edição do Minha Casa, Minha Vida reverte cenário e derruba ações de constrututoras

Naiana Oscar e Lucas de Abreu Maia, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2010 | 00h00

As ações das empresas imobiliárias, que vinham registrando um bom resultado, sofreram queda nos dois dias que se seguiram ao anúncio do programa Minha Casa, Minha Vida 2. Ontem, a PDG Realty e a MRV foram as que mais perderam: as ações caíram 4,24% e 4,92%, respectivamente.

Para analistas, a falta de novidades e detalhes sobre as medidas pode ter desagradado ao mercado. "É um programa benéfico para as empresas, mas o impacto dele já foi precificado no ano passado. Como não há benefícios extras tivemos um movimento de queda", explicou Flávio Conde, da Gradual Investimentos.

O anúncio de que 60% dos 2 milhões de imóveis deverão beneficiar famílias com até três salários mínimos também pode ter influenciado. No primeiro programa, esse porcentual era de 40%. "As grandes empresas do setor não estão com foco na baixa renda", disse Armando Halfeld, da corretora Ativa.

"O Minha Casa, Minha Vida 2 nem precisava ser anunciado. O primeiro - que previa o lançamento de 1 milhão de unidades - só tem 30% contratado", afirma José Grabowsky, presidente da PDG Realty.

Para o secretário da Habitação de São Paulo, Lair Alberto Soares Krähenbühl, o desconhecimento dos detalhes do programa gerou insegurança no mercado. Para ele, pontos cruciais do projeto não foram esclarecidos como o teto para imóveis de regiões metropolitanas. "São informações fundamentais para a tomada de decisão das empresas."

Segundo o secretário, os recursos para a segunda fase do Minha Casa, Minha Vida demorarão a ser liberados. "Com isso, vai demorar para contratar as obras", avalia. "Esta casa está com muito chão e pouco teto." /

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