Falta de estrutura antecipa retorno

Castigados pelo corte de água e altas temperaturas, paulistas voltam mais cedo do feriado, lotando as rodovias

Simone Menocchi, SÃO SEBASTIÃO, O Estadao de S.Paulo

02 de janeiro de 2008 | 00h00

Falta de água nas torneiras e até de garrafinhas de água potável, calor forte, além de congestionamento nas ruas e filas nos restaurantes. Essa foi a marca do feriadão no litoral paulista. Dos quase 600 mil veículos que desceram a serra para passar o réveillon na praia, a maior parte deles já havia retornado para São Paulo no primeiro dia do ano. Muita reclamação marcou a volta antecipada.Logo cedo, milhares de turistas das quatro cidades do litoral norte já estavam prontos para encarar a estrada. Na saída de Ilhabela, por volta das 10 horas, a espera para a travessia de balsa era de 50 minutos. O trajeto entre Ilhabela e Caraguatatuba, até o trevo de acesso à rodovia dos Tamoios, chegou a demorar quase duas horas pela manhã.Segundo a Polícia Rodoviária Estadual, até o meio-dia de ontem, 110 mil veículos tinham subido pelas rodovias Tamoios (SP- 099) e Oswaldo Cruz (SP-125). É mais da metade dos 216 mil carros que desceram para o litoral norte pelas duas estradas. "Já esperávamos grande movimento, que segue até amanhã", confirmou o comandante do policiamento rodoviário na região, capitão Newton Michelazzo. "Muitos acreditam que saindo cedo não pegarão tanto trânsito, mas muitos têm a mesma idéia e isso não ocorre." Quem saiu mais cedo demorou até três horas para percorrer os 90 km da Rodovia dos Tamoios. Em dias normais, leva-se uma hora e 15 minutos. Entre Ubatuba e Caraguatatuba a viagem, normalmente feita em 50 minutos, chegou a demorar quatro horas.Em Ubatuba, a expectativa até o dia 30 era de que no máximo 300 mil turistas chegassem à cidade. "No dia 31, vimos que esse número seria superado. Acredito que o total chegou a 350 mil, mas o número oficial só sairá amanhã (hoje)", disse o secretário de Turismo local, Luiz Felipe Azevedo. "Já esperávamos que ia estar assim, cheio, mas não achávamos que seria tanto", contou o comerciante José Luiz Nogueira, que estava em Caraguatatuba e decidiu voltar mais cedo com a família para Guarulhos. "Poderíamos voltar amanhã, mas acaba desanimando. É fila pra tudo."FALTA DE ÁGUAEm alguns bairros de Ubatuba, Caraguatatuba e São Sebastião, o abastecimento de água, feito pela Sabesp, ficou prejudicado. "Minha irmã, que estava no bairro Palmeiras, em Caraguatatuba, teve de tomar banho com água mineral, senão passaria a festa da virada sem banho", contou a comerciante Ilma de Lima, que trabalha em um posto de combustível. "Aqui não faltou gasolina, mas água potável." A escassez das garrafinhas de água foi constatada em todo o litoral norte. Em Ubatuba, dez distribuidoras não tinham mais o produto na segunda-feira. O pior problema de falta de água foi em São Sebastião. O consumo pulou de 100 litros por segundo para 195. Os moradores de Topolândia e Olaria, na parte alta do município, ficaram sem água. A Sabesp tentou resolver com oito caminhões-pipa. Em Caraguatatuba, o rompimento em uma adutora deixou quatro bairros sem água, até o dia 31 de dezembro. Em Ubatuba, quem estava nos bairros Itamambuca, Praia Grande e Perequê Mirim também enfrentou escassez.Uma bóia da Petrobrás foi encontrada ontem em Camburi (São Sebastião). Segundo a Assessoria de Imprensa da empresa, a bóia se desprendeu da Bacia de Campos, no Rio, pesa 40 toneladas e é usada para ancorar navios. A Polícia Militar vai analisar possíveis danos ambientais. A Marinha e o Corpo de Bombeiros serão responsáveis pelo resgate da bóia, ainda sem data definida.

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