Falta de patrocínio ameaça bolo do Bexiga

Tradicional celebração, no dia 25, teve seu custo quase duplicado

Mônica Cardoso, O Estadao de S.Paulo

10 de janeiro de 2009 | 00h00

São Paulo comemora 455 anos no próximo dia 25, mas pode ficar sem apagar as velinhas do seu tradicional bolo de aniversário. A festa, que ocorre há 24 anos entre a Rua Rui Barbosa e a Praça D. Orione, no Bexiga, está ameaçada por falta de patrocinadores. O tema da festa deste ano seria "Bolo no Prato" e a mesa seria cercada por grades baixas e as fatias seriam servidas com pratinhos e garfinhos de plástico por 300 pessoas contratadas. Com isso, o orçamento da festa saltou de R$ 115 mil para R$ 200 mil. "O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) propôs que o evento fosse mais organizado, para que as pessoas não atacassem o bolo em poucos segundos, como ocorre todos os anos. E os parceiros concordaram", diz Nelson Baldresca, sócio diretor do Grupo R. Cunha, empresa de marketing promocional responsável pelo projeto do evento. Em dezembro, as cotas começaram a ser vendidas, mas sem nenhum novo patrocinador, o evento foi cancelado. "Os parceiros atuais (Senai e J. Macêdo, da Farinha Dona Benta) ainda estão dispostos a participar, mas dependem da comercialização de duas cotas, uma no valor de R$ 60 mil e outra de R$ 32 mil", diz. A J. Macêdo colabora com os ingredientes: farinha, fermentos, ovos, manteiga e óleo. Já o Senai entra com a estrutura, cedendo seus equipamentos, como fornos e geladeiras, e indicando os confeiteiros, formado por alunos e ex-alunos da instituição. Anteriormente, o bolo era produzido nas diversas padarias do bairro, mas a partir de 2001, o evento começou a ser patrocinado por empresas do ramo alimentício. A festa do bolo de aniversário para a cidade foi ideia de Armando Puglisi, o Armandinho do Bexiga, mas desde a sua morte, em 1994, elas são organizadas por Walter Taverna, presidente da Sociedade de Defesa das Tradições e Progresso do Bixiga (Sodepro). "Estou extremamente chateado. Todo mundo me pergunta se teremos o bolo. Ainda tenho esperança de conseguirmos patrocinadores", diz Taverna, de 75 anos. "É o maior bolo de aniversário do mundo", garante. Ele também organiza, como diz, a maior pizza, comemorada em 9 de julho em homenagem à Revolução Constitucionalista, e o maior sanduíche, no Dia das Crianças. Ele ainda preside o Centro de Memória do Bexiga, na Rua 13 de Maio, local onde seus avós sicilianos se instalaram e ele é proprietário de uma cantina. A produção da guloseima, que a cada ano ganha um metro a mais, acompanhando a idade da cidade, leva em torno de uma semana e atrai cerca de 8 mil pessoas ao Bexiga. "O bolo sempre foi atacado por pessoas em busca de um pedaço ou por farra, mas é uma festa de aniversário e nunca tivemos brigas", conta. Apenas em 1997, o bolo não foi feito. Poucos dias antes da festa, o Hipermercado Extra teve problemas em seu forno e os organizadores não conseguiram outro patrocínio. E deve continuar sendo servido, no que depender de Taverna. "Vou fazer um bolo pequeno, simbólico, em homenagem à cidade que eu amo." A festa também terá um show com as mulatas de Sandrinha Sargentelli. E ele garante que no próximo ano, o bolo volta às ruas do Bexiga, agora com 456 metros.

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