Falta de saneamento mata mais crianças que adultos, diz estudo

Meninos e meninas com idade entre 1 e 6 anos morrem 32% mais quando não dispõem de esgoto tratado

Elizabeth Lopes, da Agência Estado,

27 de novembro de 2007 | 18h11

A pesquisa "Impactos Sociais de Investimentos em Saneamento", divulgada nesta terça-feira, 27, pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas e pela ONG Trata Brasil, aponta que são as crianças com idades entre 1 e 6 anos são as principais vítimas da falta de esgoto no Brasil. O cruzamento de pesquisas do IBGE com dados de outros estudos do próprio instituto e dos Ministérios das Cidades e da Saúde, levou à constatação de que as crianças nessa faixa etária morrem 32% mais quando não dispõem de esgoto tratado. Bebês com menos de um ano de idade têm menos chances de morrer devido a doenças relacionadas à ausência de saneamento porque ficam mais em casa, portanto protegidos das doenças. Ainda segundo o estudo, a maior parte das mortes relacionadas à falta de saneamento básico entre crianças de 1 a 6 anos acontece com meninos, porque esses brincam mais fora de casa. Outras vítimas da falta de tratamento de esgoto são as grávidas. As chances que os filhos dessas mulheres nasçam mortos aumenta em 30%, em comparação às mães que moram em regiões com saneamento. A pesquisa também mostra estatísticas sobre mortalidade do filho caçula sob a perspectiva de acesso a vários serviços. As maiores taxas de mortalidade ocorrem em domicílios com baixo acesso a água (4,48%), sem acesso a esgoto tratado (2,78%), sem água nem esgoto (4,295), sem banheiro na propriedade (4,78%), sem lixo coletado (4,01%) e sem iluminação elétrica (3,83%). Investimento Os dados da pesquisa indicam também que o Estado de São Paulo lidera o ranking de acesso à rede de esgotos, com índice de 84,24%, e que dos 50 municípios com a maior taxa de acesso ao esgoto tratado, 44 são paulistas. Apesar disso, a secretária estadual de Saneamento e Energia, Dilma Pena, destaca que "o governo Serra não está satisfeito e pretende investir mais". Em nota oficial divulgada na tarde desta terça, Dilma Pena argumenta que os índices de São Paulo são muito bons porque resultam de um grande esforço do governo. "Estamos investindo, sobretudo na região metropolitana, para que no menor tempo possível, o Estado tenha 100% de coleta e de tratamento. Em algumas áreas, já estamos perto de 100%, como em Lins", exemplifica. A pesquisa avaliou, também, a qualidade percebida com relação ao acesso ao serviço de água e escoamento. São Paulo é vice-líder no quesito "bom serviço de água", com 73,4% de aprovação e no item "bom escoadouro", o Estado fica em quarto lugar, com 87,6% de aprovação no ranking de qualidade. Para a secretária estadual de Saneamento e Energia, "o pior conflito pelo uso da água é o conflito entre o abastecimento humano e a diluição de efluentes. O Rio Pinheiros, por exemplo, não pode ser usado, nem para a produção de energia, quanto mais para o abastecimento humano, devido ao nível de poluição". A nota oficial também faz uma menção à avaliação dos pesquisadores da FGV, ao lembrar que o primeiro município no ranking municipal - a cidade paulista de São Caetano do Sul, que registrou índice de 98,64% -, também é detentora do maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do País, refletindo as possíveis relações entre saneamento, expectativa de vida ao nascer, escolaridade e renda como exemplos de saúde, educação e economia.

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