Falta de segurança no Rio atrapalha serviços do PAC

Beltrame recomendou adiamento de interdição para obras em avenida com medo de roubos na região

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

13 Outubro 2008 | 18h40

A insegurança no Rio começa a atrapalhar as obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, recomendou o adiamento da interdição de dois quilômetros da Avenida Bulhões de Carvalho, na altura do Complexo de Manguinhos, por temer que os motoristas trafegando em velocidade baixa fiquem mais expostos aos roubos praticados por criminosos do conjunto de favelas, situado às margens da via por onde passam 66 mil carros por dia. O cotidiano de tiroteios e mortes fez a região ser apelidada pelos moradores como "Faixa de Gaza".   Veja também: Até julho, polícia do Rio matou 5,7% a mais do que em 2007 ONU diz que legalizar drogas não acaba com violência no Rio   Beltrame voltou a dizer nesta segunda-feira, 13, que o local "não pode ser interditado sem planejamento" e revelou que encomendou ao 22.º Batalhão de Polícia Militar de Bonsucesso um estudo sobre o reforço do policiamento. Apesar do adiamento, o vice-governador e secretário de Obras, Luiz Fernando Pezão, negou que as obras tenham sido interrompidas.   "As obras não foram paralisadas. Estamos inclusive fazendo a confecção dos dormentes da nova linha férrea. Apenas por questão de precaução, o secretário Beltrame recomendou o adiamento da interdição da pista para elaboração de um plano de segurança para aquela área em que há problemas. Acredito que em cerca de 10 dias o plano esteja pronto ", declarou Pezão. A previsão é que o trecho interditado seja reaberto apenas em 2010.   A Leopoldo Bulhões é paralela à Avenida Brasil e foi criada para ser uma alternativa a principal via expressa da cidade para os moradores da zona norte, pois liga os bairros de Bonsucesso e Benfica. No entanto, muitos motoristas evitam trafegar na avenida que fica entre duas favelas rivais, Manguinhos e Mandela, ambas alvos de violentas incursões da polícia.   No dia das eleições, um tiroteio entre traficantes de Manguinhos e PM resultou na morte de uma mulher e deixou outras duas pessoas feridas. Em maio, a Leopoldo Bulhões ficou fechada por mais de 17 horas por causa de uma longa troca de tiros entre criminosos das duas favelas.   Sem comércio e empresas, que se retiraram por causa da violência, a Leopoldo Bulhões também serve de passagem para muitos dos 7.500 funcionários da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) cuja entrada dos fundos fica na avenida. Uma das mais destacadas instituições ciência e tecnologia da América Latina, a Fiocruz cogitou blindar as janelas de um dos prédios em 2007 após a fachada ser atingida por mais de 10 balas perdidas no ano passado.   "Para quem vem da zona sul fica mais fácil entrar pela Bulhões. A violência preocupa, mas temos que trabalhar. Já vi um homem armado correndo no meio desta rua e toda vez que a polícia entra na favela evitamos sair por esta avenida, porque é sinal de tiroteio", disse uma pesquisadora que preferiu não se identificar.

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