Falta de sinal de balizas intriga os técnicos

"Um indício de que um acidente abrupto aconteceu é o fato de que nenhum traço das balizas, equipamentos que emitem sinais captáveis mesmo em condições extremas, indicando a localização do aparelho, foi encontrado até aqui por nenhum dos 24 centros de controle do mundo ou pela rede de satélites em órbita na Terra", afirmou Philippe Hazane, diretor adjunto do Centro Nacional de Estudos Espaciais (CNES), com sede em Toulouse, no sul da França.O responsável pelo CNES acrescentou que cada baliza tem o próprio sistema de alimentação elétrico, de forma autônoma em relação à aeronave. Além disso, esses equipamentos - criados no começo dos anos 80 num convênio Estados Unidos, Rússia, França e Canadá para ampliar a segurança aérea - podem ser acionados manualmente. Atualmente, o sistema se apoia en cinco satélites geoestacionários que cobrem todo o globo, sem deixar pontos cegos.Já a Associação de Pilotos da França, entidade que reúne comandantes habituados a viajar entre a Europa e a América Latina considera improvável que o mau tempo tenha causado a queda. A possibilidade de que o avião tenha sido atingido por raios, que tivessem abalado a estabilidade, foi levantada no início da tarde, em Paris, pela companhia aérea e descartada pelos pilotos. "O avião é apenas um ponto de trânsito da descarga elétrica, que segue até o solo ou até outra nuvem", explicou Eric Derivry, porta-voz da Associação de Pilotos da França e comandante da Air France, ao Estado. "Mesmo que causem panes, há equipamentos em sequência que evitam a perda elétrica total."Para Michel Legrand, piloto de um Airbus A330-200 da Air France e também integrante da associação de pilotos, só turbulências extremamente violentas, combinadas com a destruição parcial da aeronave por tempestades elétricas, podem derrubar um equipamento desse porte. "O A330 é o segundo mais recente projeto da Airbus e dispõe de todos os mecanismos mais modernos para resistir a isso."

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