Falta investimento, admite Prefeitura

Produção de lixo cresce 7% ao ano e aterros estão esgotados, enquanto contrato com empresas é renegociado

Rodrigo Brancatelli, O Estadao de S.Paulo

10 de novembro de 2007 | 00h00

Se São Paulo produz um Pacaembu por dia de lixo, é bom especialistas encontrarem logo outro espaço, bem maior, para usar como termo de comparação. Segundo o Departamento de Limpeza Urbana (Limpurb), a produção de detritos está crescendo cerca de 7% ao ano, mas a própria Prefeitura assume que investimentos em novos aterros ou pontos de reciclagem estão congelados até que se avance na renegociação do contrato com empresas de lixo.Os dois aterros sanitários da capital já chegaram ao limite. No maior, o Bandeirante, na Rodovia dos Bandeirantes, camadas de lixo e terra atingiram 140 metros de altura. O São João, na Estrada de Sapopemba, zona leste, fechado por causa de um acidente com desmoronamento de terra, tem tanto lixo que ele já invade a reserva de mata atlântica - segundo o Limpurb, a capacidade do aterro se esgota em dezembro. E não há alternativas: o único incinerador em operação na cidade não tem nenhum controle dos poluentes e só queima lixo hospitalar."A situação é deprimente, não só por esse lixo sem fim, mas também pelo gravíssimo quadro social que envolve a presença de crianças e adultos vivendo nos aterros", diz Walter Capello Junior, secretário-geral da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). Em São Paulo, estima-se que 2 mil crianças trabalhem em lixões e pelo menos 50 mil catadores garimpem em depósitos a céu aberto e nas ruas. "As pessoas se submetem a esse tipo de trabalho desumano por pura falta de opções. Já na questão ambiental, é uma bomba-relógio, porque não há dinheiro para novos investimentos e parece que a Prefeitura vive um hiato. Se a coleta seletiva não for ampliada pelo governo e se a própria sociedade não se mexer, infelizmente teremos o caos. "O CAMINHO DO LIXODas 16 mil toneladas de lixo produzidas diariamente, 89% são recolhidas pelos caminhões das empresas EcoUrbis e Loga e seguem para os aterros - como os públicos estão fechados, as companhias estão pagando por espaços particulares. Uns 10% vão para usinas de compostagem e viram adubo, segundo a Prefeitura. Uma das soluções para essa bomba-relógio, claro, está na reciclagem. A Prefeitura estima que a coleta seletiva oficial alcance só 1% do total . Hoje, a cidade conta com um sistema de coleta seletiva na porta de casa feita pelo governo municipal - o problema é que ele conta com apenas 72 caminhões e não atende a toda a cidade. Teoricamente, pela lei e pelo contrato milionário firmado com empresas de lixo, o paulistano só precisaria separar os restos de comida (orgânico) do material reciclável, colocar tudo em um saco plástico e ligar para a Prefeitura. Aliás, aqui vale um adendo: ao contrário do que muitos pensam, não é preciso nem ter quatro latas para separar o reciclável. Todo o lixo pode ser jogado no mesmo saco, desde que o material esteja limpo. O que pode ser reaproveitado - metais, plásticos, papéis ou vidros - é separado nos pontos de triagem por catadores e cooperativas.Esses 72 caminhões passam pelas ruas de São Paulo em horários diferentes dos veículos da coleta normal. O material segue então para os 15 centros de triagem da cidade, onde as cooperativas cadastradas pela Prefeitura separam e posteriormente vendem o lixo. Há também 18 ecopontos da Prefeitura, espaços de entrega voluntária onde o próprio morador pode levar seu lixo reciclável, pequenos volumes de entulho (até 1 metro cúbico) ou grandes objetos (como móveis ou restos da poda de árvores). Esse material é diariamente recolhido pelas cooperativas cadastradas. Para saber quando a coleta seletiva passa em sua casa ou o endereço dos ecopontos, o paulistano deve ligar para um destes telefones: 3229-3666, 3229-3293, 3328-2888 ou 3328-2836. A consulta de rotas pode ser feita pelo telefone 156 ou pelo site www.limpurb.sp.gov.br.

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