Falta padrão mínimo de conduta à polícia, diz secretário

Após participar hoje da abertura de um curso para policiais federais de quatro Estados, no Comando deOperações Táticas da PF, em Brasília, o secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Fernando Corrêa, defendeu a definiçãode padrões mínimos de investigação e conduta das polícias brasileiras. "Atingir um mínimo de padronização deve ser rotina", disse Corrêa, lembrando que o crime organizado age independentemente de fronteiras e distinções entre os níveis federal, estadual ou municipal. "O governo tem que atacar em bloco."Corrêa destacou que o governo federal chamou para si a responsabilidade sobre a segurança pública no País. Daí a necessidade de fortalecimento da PF e uma maior articulação entre as polícias civil e militar nos Estados. O Sistema Único de Segurança Pública, que repassa verbas aos Estados, é justamente uma tentativa de coordenar esforços. O secretário criticou o governo anterior, no qual o Ministério da Justiça, segundo ele, não se envolvia nas questões de segurança que não fossem diretamente ligadas à esfera federal. O Comando de Operações Táticas da PF, conhecido pela sigla COT e chamado informalmente de Swat brasileira, éuma unidade de elite para ações armadas. Com sede em Brasília, envia agentes para missões em todo o Brasil. Foram policiaisdesse comando que prenderam o juiz federal João Carlos da Rocha Mattos, investigado pela operação Anaconda e apontado peloMinistério Público como chefe de uma quadrilha de venda de sentenças. Também coube ao COT desocupar a Fazenda Córregoda Ponte, de propriedade dos filhos do então presidente Fernando Henrique Cardoso, quando foi invadida por militantes doMovimento dos Sem-Terra (MST).O curso iniciado ontem vai até sexta-feira e será ministrado para 32 agentes do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná eMato Grosso do Sul. A idéia é fundar grupos de elite nas superintendências da PF nos Estados, dando início à descentralização das ações do COT. O diretor-geral substituto da PF, Zulmar Pimentel dos Santos, disse que o mesmo curso deverá ser ministrados este ano também para policiais da Região Sudeste. Os alunos vão treinar técnicas de ação em ambientes fechados, simulando invasões a residências e escritórios. Eles vãomanejar pistolas, submetralhadoras e fuzis. O coordenador do COT, Daniel Gomes Sampaio, enfatizou a importância desse tipode treinamento, uma vez que as ações reais costumam reservar todo tipo de surpresa. Ele contou que já houve um caso depoliciais invadirem uma casa e não encontrarem um bandido. Mais tarde, descobriu-se que o criminoso permanecera escondidodentro de um freezer. Formado por cerca de 40 agentes - todos homens, apesar de ser permitido o ingresso de mulheres - o COT vai abrir seleçãopara mais dez vagas em março. Os candidatos devem ser policiais federais há pelo menos 1 ano, ter no máximo 35 anos epassar no teste físico.

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