Falta um manual técnico para calçadas paulistanas

Para engenheiro civil colombiano, via pública ideal é aquela que passa despercebida, que deixa a vida mais fácil

Edison Veiga, O Estadao de S.Paulo

21 de julho de 2009 | 00h00

Ele é conhecido internacionalmente como autoridade em um assunto sobre o qual poucos param para pensar, mas está incorporado ao dia a dia de toda a população. O engenheiro civil colombiano Germán Guillermo Madrid é especialista em calçadas e vias públicas. Graduado pela Universidade de Medellín (Colômbia), com PhD pela Universidade Carnegie Mellon, de Pittsburgh (Estados Unidos), ele acumula mais de uma centena de trabalhos publicados sobre o tema em 20 países. Sua empresa de consultoria tem na carteira clientes brasileiros, alemães, norte-americanos, costa-riquenhos, guatemaltecos, panamenhos e, claro, colombianos. Madrid é coautor do Manual de Desenho e Construção dos Componentes do Espaço Público (MEP), utilizado em Medellín desde 2003. Em sua sexta visita a São Paulo - onde, a convite da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), ministrou um curso na semana passada -, o engenheiro respondeu a algumas perguntas do Estado.Em sua opinião, quais os principais problemas encontrados nas calçadas de São Paulo?Os mesmos das calçadas de todas as cidades grandes. Uma grande deterioração, pobres especificações e condições de mobilidade para deficientes motores ou visuais e a falta de um manual técnico para unificar os procedimentos de construção ou intervenções em obras antigas e novas.Medellín ganhou seu manual em 2003. Quanto tempo levou a elaboração?Elaboramos o texto entre os anos de 1999 e 2002. É uma obra pioneira tanto na extensão do conteúdo como nos temas complementares, mas foi derivada dos princípios estabelecidos antes pela Cartilha das Calçadas de Bogotá.Como o manual foi criado?Éramos uma equipe com três profissionais do Instituto Colombiano de Produtores de Cimento (ICPC) e quatro do Laboratório de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Pontifícia Bolivariana. Além de uma designer gráfica. O manual é um compêndio com todas as diretrizes de desenho urbano, arquitetônico, paisagístico e técnico para o desenho e a construção do espaço público e temas associados, de acordo com a legislação de mobilidade e acessibilidade que existe na Colômbia - e não é muito diferente das que vigoram em outros lugares. O princípio é que a cidade seja digna e para todos.Conforme os estudos atuais, como seria a via pública ideal?É aquela que passa despercebida, ou seja, que permite um deslocamento ou estada sem nenhum obstáculo ou nada esteticamente desagradável. Em resumo: é aquela que deixa a vida mais fácil. Qual é o maior erro que a administração pública comete em relação às vias públicas e sobretudo as calçadas?Em primeiro lugar, o fato de o administrador não fazer nada, esquecer-se da existência das vias. É preciso ter consciência de que as vias públicas são obras que precisam ser desenhadas, construídas e mantidas de acordo com parâmetros técnicos.Qual a cidade que você acredita ter o melhor passeio público em todo o mundo?Talvez Sidney (na Austrália), porque tem um tratamento uniforme e coerente em toda a cidade. Mas há muitas cidades com desenhos fabulosos, especialmente na Europa.

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