''Faltavam apenas 5 metros.'' E a terra desceu e matou 2

Resgate tentava retirar família isolada; técnicos do IPT pediram para evacuar e lacrar área de 20 km2 do Baú

RODRIGO BRANCATELLI, O Estadao de S.Paulo

01 de dezembro de 2008 | 00h00

Em uma cena dramática que vem se repetindo todos os dias em Santa Catarina, mais uma barreira desmoronou na região do Morro do Baú na tarde de ontem e fez pelo menos duas novas vítimas fatais, uma mulher e uma garota de 12 anos. Outras quatro crianças, um homem e dois membros da Força Nacional de Segurança (FNS) que faziam um resgate nessa área, conhecida como Braço Joaquim, ficaram feridos e tiveram de ser resgatados de helicóptero. Um dos homens da FNS sofreu fratura na costela e o outro teve fratura no tórax, afundamento de crânio e pode estar com hemorragia interna - até as 23 horas, ele estava internado em estado gravíssimo.Há ainda o risco de outras pessoas terem sido soterradas. A reportagem do Estado estava na região acompanhando o trabalho de uma equipe do Grupo de Bombeiros de São Paulo e presenciou o salvamento. Os homens da Força trabalhavam por volta das 17h30 no Braço Joaquim para retirar dali uma família que permanecia em um morro condenado pela Defesa Civil. Um trator era usado na operação. Foi possível ouvir o barulho das árvores quebrando a cerca de 500 metros dali. De repente, o morro começou a estalar e a terra veio abaixo. A família ainda não havia sido retirada e pelo menos duas pessoas morreram.Os dois homens da FNS estavam dentro do trator no momento do desmoronamento e foram arremessados para longe com a força da terra. Eles conseguiram ser resgatados graças aos apitos que usaram para chamar a atenção das equipes de salvamento. Quando foram resgatados da lama, souberam da tragédia. O operador do trator que ajudava a FNS chorava e gritava: "Faltavam apenas cinco metros para salvar a família, faltavam apenas cinco metros."O salvamento ainda tentou reanimar a mulher e a menina de 12 anos que foram soterradas, mas não havia o que ser feito. O clima na volta das equipes dos Bombeiros era de total desolação. No anoitecer, o tenente Teodoro reuniu os cerca de 40 homens do grupo: "Eu sei que estão todos emocionados, principalmente pela morte da menina. Mas temos de ter maturidade para saber que certas coisas acontecem. Não é culpa da gente. O saldo foi negativo, mas não podemos esquecer que conseguimos salvar outras pessoas. Isso é importante. Quero agradecer por termos salvado essas vidas. Nós estamos todos juntos nessa."Os desmoronamentos não param de ocorrer em toda a região. Técnicos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) de São Paulo sobrevoaram ontem o Vale do Itajaí e pediram para que a Defesa Civil e o Exército evacuassem e lacrassem uma área de 20 km2 do Morro do Baú, região condenada e agora chamada de "perímetro preto". Nenhum morador pode continuar por ali - foi autorizado o uso de força para retirar todas as pessoas -, e nenhum homem do resgate pode continuar os trabalhos de buscas por corpos.O IPT percorreu os morros de Blumenau. Cerca de 70% dos locais vistoriados estão condenados> Podem ruir um ginásio, um asilo, uma igreja e residências.

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