Família acusa seguranças de festa junina de espancar jovem

Rapaz, que morreu ontem, foi retirado da sede da Portuguesa no dia 7

Andressa Zanandrea Elisa Estronioli, O Estadao de S.Paulo

17 de junho de 2008 | 00h00

A família do auxiliar administrativo Diego de Paula Leopoldo, de 19 anos, acusa seguranças de uma empresa contratada pela Portuguesa de matá-lo, após retirá-lo de festa no clube, no dia 7. Diego morreu anteontem, após uma semana na UTI do Hospital das Clínicas. Segundo amigos, no dia do crime, ele brigou e foi levado por seguranças. Só foi localizado no hospital, onde chegou sem documentos.O caso foi registrado como atropelamento por policiais do 12º DP. Mas, no dia 11, o delegado Hélio Bressan, titular do distrito, abriu inquérito. A Portuguesa afirmou ontem que não foi registrada ocorrência grave na festa. Roberto Franzoli, do departamento jurídico da Securité Fonsecas, contratada para a segurança da festa, disse que a empresa desconhecia o caso.Um casal de amigos que acompanhava Diego na festa e pediu para não ser identificado diz que chegaram por volta de 20 horas. Às 23h15, foram ao banheiro. Dois seguranças guardavam o local. Diego teria furado a fila, alguns rapazes não teriam gostado e uma discussão teria começado. Um dos rapazes teria empurrado Diego, que o teria socado. ''Os dois seguranças levaram o Diego, depois outro me tirou e me levou para um lado, e duas seguranças levaram minha namorada'', conta o amigo. Foi a última vez que o casal diz ter visto o amigo. ''Procuramos o Diego por uma hora. Perguntamos aos seguranças, que foram ignorantes.''À 0h30, o casal voltou para casa, em Arthur Alvim. ''Quando cheguei, recebi ligação da avó dele, dizendo que o Diego havia sofrido um acidente.'' Cerca de 20 minutos após a confusão, Diego foi encontrado, segundo a família, por um caminhoneiro na pista expressa da Marginal do Tietê, próximo à Ponte da Vila Guilherme - a um quilômetro da festa, num lugar que não fazia parte do seu trajeto de volta -, sem a sua jaqueta. O motorista teria freado, sem atropelá-lo, e chamado o Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu). Segundo o HC, Diego teve fraturas na cabeça, uma costela quebrada, que perfurou um dos pulmões, e perdeu vários dentes. ''Vi que as pernas, os braços e o peito estavam limpos, sem nenhum arranhão. Não é atropelamento, nunca'', diz o pai, Vanderlei Leopoldo.

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