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Família atacada no Recife tinha proibido acesso de agressor ao prédio; zelador foi ameaçado com arma

Homem, que tirou a própria vida após a ocorrência, matou namorado da enteada e feriu a ex-companheira. Polícia investiga o caso

Maria Lígia Barros, especial para o Estadão

08 de julho de 2022 | 23h35

RECIFE - Emerson Raulino Alexandre, de 50 anos, que nesta sexta-feira, 8, invadiu um prédio para atacar uma família no Recife, ameaçou o zelador do condomínio com uma arma de fogo para conseguir acessar o apartamento das vítimas e já tinha tentado a invasão em dias anteriores ao crime. Emerson não aceitava o término de um relacionamento e atirou contra a ex-companheira, além de ter atingido a enteada e o namorado dela, que estavam no mesmo local.

A ex e a enteada permanecem internadas. Já o namorado da enteada morreu após receber atendimento; Emerson se matou no local do crime. Lízia Regina de Albuquerque Mel e o homem compraram o apartamento no Edifício Morada dos Navegantes há aproximadamente dois anos, contou o zelador do condomínio, Roberto Dubas do Santos. Mas foi só nessa segunda-feira, 4, que o casal fez a mudança, após as reformas no imóvel terem sido concluídas na última sexta-feira, 1º. 

"Eles tiveram uma discussão e todo dia ele estava nesse portão, querendo subir", relatou o trabalhador. A família havia informado à portaria que Emerson estava desautorizado a entrar na propriedade.

O criminoso teria passado a madrugada desta sexta-feira, 8, bebendo e, a partir das 4h, começado a rondar a Rua dos Navegantes, em Boa Viagem, onde fica o prédio. Quando o zelador chegou para o expediente, por volta das 7h30, o homem já estava tentando acessar o edifício. Roberto tentou impedir a entrada, mas ele aproveitou o momento em que um carro estava entrando na garagem e passou pelo portão.

Já dentro da área comum do condomínio, no elevador, Emerson fez um gesto para que o zelador recuasse, mostrando a arma na cintura. "Ele disse: 'Só vou subir para resolver'. Ele subiu, quatro minutos depois, ouvi os tiros. Foram quatro disparos", contou. Roberto ficou assustado. "Na hora que ele mostrou a pistola, quem não ia ter medo de uma arma?"

Os tiros atingiram a cabeça de Regina, o peito de Breno Felipe de Sales Machado, de 28 anos, e passou de raspão no pescoço de Mayara Lícia Melo de Oliveira Britto, de 20 anos. Os três haviam passado a noite no apartamento 402. Quando o zelador chegou ao quarto andar, se deparou com a cena do crime e o corpo de Emerson, que havia atirado contra a própria cabeça.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) recebeu o chamado por volta das 7h50 para atender a ocorrência de agressão por arma de fogo no condomínio, conforme informou a Secretaria de Saúde do Recife.

Por volta das 15h30, Roberto e o outro zelador, Dayvson Oliveira, ainda estavam limpando o sangue do corredor. “De hoje em diante, vai ser doloroso passar por ali”, falou Dayvson.

As duas mulheres foram levadas para o Complexo Hospitalar Unimed Recife e o rapaz, ao Hospital da Restauração (HR), ambos no centro do Recife.

O HR informou que o Breno deu entrada na unidade de saúde às 9h28, com um tiro no peito, “em situação de parada”. A equipe hospitalar tentou fazer a reanimação, mas ele morreu às 10h15. 

Já a assessoria de imprensa da Unimed Recife confirmou que recebeu, por volta das 9h50, a entrada de duas pessoas relacionadas ao incidente e disse que não poderia repassar informações sobre identidade dos pacientes e estado de saúde.

Crime choca parentes das vítimas

O crime pegou de surpresa familiares de Lízia Regina, que conversaram com a reportagem. Abalados com o caso, eles relataram que, até então, Emerson não havia demonstrado sinais de que era violento. "Era um cara que chegou na família e não tinha problema nenhum. O relacionamento se desgastou, se separaram, ele passou uma semana bebendo, entrou na casa e fez essa tragédia", falou um parente, que optou por não se identificar.

Emerson não era pernambucano; veio de Goiânia, em Goiás. No Recife, ele era proprietário de um caminhão-cegonha e trabalhava com transporte. Os membros da família da ex-companheira ainda revelaram que o homem tinha posse regularizada de arma de fogo. 

A Polícia Civil de Pernambuco instaurou inquérito na 3ª Delegacia de Polícia de Homicídios (DPH) para investigar o caso. 

Em nota, a polícia reafirmou que as informações preliminares apontam que o homem não aceitava o fim do relacionamento. Essa é uma das mais recorrentes motivações dos crimes de feminicídio no Brasil. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgados em junho, indicam que houve 3.878 homicídios de mulheres em 2021. Já as notificações de feminicídio (quando ocorre o assassinato pelo fato de a vítima ser mulher), foram 1.341.

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